Os Grand Supreme Blood Court nasceram do
regresso de Eric Daniels, ex-guitarrista dos Asphyx, às lides metálicas após
vários anos de ausência. Fazendo-se acompanhar por músicos veteranos, entre os
quais o carismático Martin van Drunen, o holandês apresenta aqui o álbum de
estreia do seu novo projeto. Em termos de sonoridade, “Bow Down Before the Blood Court” assemelha-se imenso ao Death/Doom
Metal praticado pelos Asphyx, o que não admira, já que ambas as bandas partilham
três membros em comum além de Eric. Apesar de um bom início com “All Rise!”, só
a partir do quinto tema, “Behead the Defence”, é que o disco começa a revelar os
seus pontos fortes. Depois da pequena surpresa que é o instrumental “Grand
Justice, Grand Pain”, é criado um equilíbrio eficaz entre a velocidade furiosa
de “Fed to the Boars” e “Piled Up for the Scavengers” e canções mais arrastadas
como “Circus of Mass Torment” e “Public Castration”, terminando tudo com “…And
Thus the Billions Shall Burn”, um épico de quase 10 minutos. No final, não
restam dúvidas em relação à competência da banda, mas depois de uma bomba como
“Deathhammer”, com uma sonoridade e produção tão semelhantes, este trabalho acaba
por ficar uns furos abaixo do esperado. Ainda assim, escutem a brutal sentença proferida
por estes cinco juízes. Não darão o vosso tempo por perdido.
Formados em
2001, os Terrorama são um quarteto natural de Norrköping, Suécia. Após
dois álbuns com selo da Nuclear War Now! Productions, os suecos aliam-se à
conterrânea To The Death Records para lançar o seu terceiro longa-duração,
intitulado "Genocide". Ao longo de oito temas, que não chegam
sequer a fazer 30 minutos de duração total, a banda cospe um Black/Thrash Metal
sujo e descomprometido, revelando claras influências da selvajaria
característica da cena extrema sul-americana, assim como alguma frieza
norueguesa em passagens mais lentas. A nível lírico, é-nos apresentado um
conceito que, como o próprio nome do disco indica, fala de genocídios. Entre
acontecimentos mais debatidos, como a Alemanha Nazi ou a URSS de Estaline, e
outros mais obscuros, como a ditadura militar de Idi Amin no Uganda ou a Grande
Fome da Ucrânia, somos enfrentados com a faceta mais negra e sinistra do ser
humano. Para quem gosta de Metal extremo pouco polido e com um pé no passado,
esta será, certamente, uma proposta a ter em conta, principalmente se forem fãs
de grupos como Sarcófago, Vulcano ou Holocausto, por exemplo.
A comemorar 30 anos de carreira, os Destruction assinalam o feito com um novo lançamento. “Spiritual
Genocide” é o 13º álbum do grupo e, apesar de começar a todo gás ao som da
poderosa “Cyanide”, cedo mostra indícios de ser um trabalho menos pesado e
rápido do que os seus mais recentes antecessores. A produção, que ficou a cargo
de Andy Classen, também revela diferenças, soando menos cheia e pesada, mas, em
contrapartida, mais oldschool. Ainda
que existam alguns temas bem agressivos e velozes, como é o caso de “No Signs
of Repeatance” ou “Under Violent Sledge”, são o groove e os ritmos mais lentos que predominam. Contudo, não se
preocupem, porque Schmier e companhia sabem como manter o ouvinte interessado. Basta
ouvir “To Dust We Will Decay” ou a faixa-título, por exemplo. “Legacy of the
Past” é outra canção que se destaca ao longo do disco, graças à sua unicidade.
Trata-se de uma espécie de retrospetiva do surgimento do Thrash Metal teutónico
que conta com a participação vocal de Tom Angelripper (Sodom) e Gerre (Tankard). Em resumo, um disco equilibrado e cativante que comprova que os Destruction, após estes anos
todos, ainda têm trunfos na manga.
Naturais de Cagliari, Itália, e no ativo desde 2009, os Curse this Ocean praticam Post-Metal/Hardcore e lançam a 15 de Dezembro o seu álbum de estreia, "Lightbringer". Com o intuito de dar uma ajudinha na promoção do mesmo, aqui fica uma breve conversa com o guitarrista da banda, Nicola.
Nem todos os membros da banda vivem em Cagliari, mas isso não deverá ser um grande problema no processo de composição, graças à tecnologia a que temos acesso hoje em dia. No entanto, como funciona quando têm que estar juntos para ensaiar e como marcam os vossos concertos?
Eu
sou um dos
que vive na Sardenha, por isso sempre que os nossos membros
“estrangeiros”
apanham o voo para aqui, vamos logo para a sala de ensaios e tocamos até
os nossos corpos começarem a apodrecer. Não é uma forma habitual de
gerir uma banda, mas tem os seus prós e contras. Quando eu e o Marco
(baterista) nos juntámos à banda, sabíamos que ia ser assim e lidamos
bem com isso. A marcação dos concertos é feita principalmente a partir dos e-mails que
enviamos a salas de espetáculos, agências e a outras bandas.
As encomendas do "Lightbringer" já começaram. Como estão a correr para já?
Estão a correr bem, especialmente desde que terminaram os dois dias de audição integral do álbum. Queríamos que as pessoas o ouvissem antes de pensarem em comprar o vinil ou o formato digital.
O álbum só vai ser lançado numa edição limitada em vinil. Por que razão não optaram por um formato mais acessível como o CD?
De qualquer maneira, a maioria das pessoas que vai obter este trabalho vai ao Google pesquisar "curse this ocean - lightbringer mp3". A edição em vinil tem uma qualidade de som formidável, mas só será comprada para coleção, penso eu.
O álbum foi masterizado pelo Magnus Lindberg, dos Cult of Luna. Como surgiu esta oportunidade e como correu a experiência? A banda já tinha trabalhado com o
Magnus no primeiro EP, "Cursed". Por isso, sabíamos que tínhamos de seguir
o mesmo caminho. Foi fácil obter um som negro e profundo como desejávamos. O
Magnus sabe realmente como lapidar uma pedra e transformá-la num diamante.
Gravaram um videoclipe para a "Among the Wolves", que, curiosamente, é a faixa mais curta do disco. Por que razão a escolheram? Queriam que funcionasse como uma espécie de amostra para o que aí vem? Em Julho,
tocámos em Cagliari e tivemos a oportunidade de gravar a atuação inteira com
câmaras diferentes. Por isso, quando obtive a gravação, trabalhei a imagem para
lançar este vídeo sem qualquer despesa. A canção adapta-se ao que queríamos lançar,
não é propriamente uma amostra, mas está algures no meio. Esperamos ter a oportunidade de gravar um vídeo mais longo no futuro.
Já começaram a marcar os próximos concertos? Como está a agenda, para já? Vamos tocar
na nossa cidade antes de embarcarmos numa digressão europeia com os Comity (http://comity.bandcamp.com/)
em Fevereiro.
E é só. Obrigado pelo teu tempo e desejo-vos tudo de bom. Há algo mais que queiras dizer? Obrigado por
teres dedicado o teu tempo a esta entrevista. Visitem o nosso sítio (www.facebook.com/cursethisocean)
para mais atualizações.
Decorreu no Porto, durante uma
solarenga tarde de sábado, um evento que terá passado despercebido a alguns. Os
dinamarqueses Hexis e os suecos This Gift Is a Curse estiveram na Casa
Viva para um concerto gratuito incluído na sua digressão pela Europa, que
também os levou a Braga no mesmo dia e a Lisboa no dia seguinte.
Numa sala envolta por um denso
fumo e iluminada em tons escarlate, os This
Gift Is a Curse começaram a atuar diante de um público ainda reduzido, mas
que veio a aumentar enquanto “Inferno”, a primeira canção do alinhamento, era
executada. Já com o recinto mais cheio e com a assistência embrenhada na música
do quarteto de Estocolmo, “The Swarm” e "Att Hata Allt Mänskligt Liv"
deram azo a um moshpit violento.
Satisfeito com as mossas causadas, o vocalista Jonas Holmberg agradeceu o apoio
e afirmou que era um prazer estar ali, apresentando em seguida o próximo tema,
“The Crossing”, que incitou a um mosh ainda mais caótico. Por vezes, a
intensidade era tal que ocasionalmente caíam espetadores por cima das hardcases
dos instrumentos encostadas a uma das paredes da sala. A banda acabou a sua
atuação com uma pujante "The Sounds of Broken Bells", mas não sem
antes ter voltado a agradecer aos que compareceram para testemunhar a sua enérgica
prestação.
De novo num ambiente fumoso e
escuro, os Hexis arrancaram para um
concerto que só pecou pela sua curta duração. Durante um quarto de hora, um
público atento e menos dado a movimentações assistiu à descarga intensa protagonizada
pelo coletivo dinamarquês, que aproveitou a ocasião para apresentar duas
composições novas logo no início e dedicou o resto do set ao EP “XI”, com a faixa “Crux” a revelar-se o ponto alto da
atuação. No fim, ficou a sensação de que tinha sabido a pouco, mas, atendendo
às circunstâncias em que o evento se realizou, não se podia pedir muito mais.