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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Traces: Reflections Of A Forlorn Sun

Traces
"Reflections of a Forlorn Sun"
Siege of Amida Records
8/10

Os Traces são um jovem sexteto britânico formado em 2007. «Reflections Of A Forlorn Sun» é o seu EP de estreia e, tendo em conta a tenra idade da maioria dos membros que compõem esta formação, seria de esperar um disco genérico de Deathcore, igual a muitos outros que são editados mensalmente. Felizmente, não é isso que acontece aqui, visto que os Traces tocam Black Metal sinfónico com laivos de Folk. As influências de Dimmu Borgir são óbvias e, por vezes, a colagem chega a ser descarada, mas esse facto acaba por perder relevo quando somos fustigados pela surpreendente competência com que este colectivo destila a sua música. 

«To Engulf All Creed» é o tema que abre este EP e, após uma brevíssima introdução de sintetizador, os Traces entram a todo o gás, espalhando a destruição com blastbeats e guitarras cortantes. Depois de um break, a banda volta a atacar com o experiente Phil Wilson (ex-Gorerotted/The Rotted) a vociferar furiosamente as letras. Quando chegamos ao refrão, a agressividade dá lugar à melodia e Phil começa a cantar em registo limpo. Contudo, a sua prestação neste capítulo deixa bastante a desejar. De resto, a canção flui extremamente bem. Nas faixas seguintes, «In the Wake of What has Perished» e «Wreathed in Flames», as influências de Dimmu Borgir sobressaem. Existem bastantes passagens que lembram muito a banda norueguesa por alturas do melódico «Enthrone Darkness Triumphant» ou do sinfónico «Death Cult Armageddon». Mesmo assim, a classe está toda lá, principalmente nos arranjos melódicos dos teclados. Antes de chegar à última canção, os Traces ainda nos oferecem «Last Cycle Of Light», um instrumental calmo, acompanhado por flauta e por uma guitarra eléctrica limpa com uma melodia bastante bonita. Aos poucos vai dando lugar aos teclados, que lembram bastante Cradle Of Filth. Logo a seguir começa «Reflections Of A Forlorn Sun» que difere ligeiramente dos temas anteriores por ser mais lenta e orquestrada, incluindo até um solo de órgão que lembra o Power Metal finlandês. Pouco antes de terminar, Phil Wilson volta a cantar em registo limpo e a impressão de que não é um vocalista muito eficaz neste capítulo mantém-se. Porém, os arranjos brilhantes de teclado logo a seguir fazem-nos esquecer de imediato esse momento menos bom.

Além das vozes limpas medíocres, pouco ou nada mais há para criticar. Sim, os Traces estão longe de ser originais e, às vezes, usam demasiado os teclados. Contudo, isso são falhas naturais num colectivo formado há tão pouco tempo e, para seu mérito, apresentam um nível de profissionalismo/competência bastante acima da média. Em suma, «Reflections Of A Forlorn Sun» é um EP de estreia bastante promissor, capaz de agradar aos fãs de Black Metal melódico ou sinfónico e, quem sabe, aos apreciadores de Metal pagão, graças aos toques Folk que os Traces injectam na sua música. Recomendado!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

The Firstborn: The Noble Search

The Firstborn
"The Noble Search"
Major Label Industries
8/10

Os The Firstborn são, sem dúvida, uma das bandas mais originais e versáteis no panorama metálico nacional. Mesmo a nível mundial, não são muitos os que praticam um som semelhante ao destes portugueses, que aliam o Metal extremo a várias influências étnicas, com destaque para as orientais. “The Noble Search” é a nova proposta do colectivo e supera o seu antecessor “The Unclenching Of Fists” a todos os níveis. Gravado no País de Gales por Chris Fielding, este disco apresenta uma produção mais ambiciosa e profissional, além de mostrar também uns The Firstborn mais competentes e maduros. Existe agora um melhor equilíbrio entre a força do Heavy Metal e o exotismo da música oriental. As canções são mais variadas e coesas, como provam “Illumination of the Five Realms” ou “Water Transformation”, havendo também espaço para o experimentalismo. Prova disso é “’Sunyata (The Wisdom of Emptiness)”, onde Bruno Fernandes faz o uso de vozes limpas. No entanto, o que realmente torna “The Noble Search” especial são as letras, que abordam temas budistas, e a citara que por vezes se ouve em temas como “Illumination of the Five Realms”, “Flesh to the Crows”, entre outros. Esta abordagem do som oriental faz da audição deste disco um momento difícil de explicar em palavras. Além disso, a participação de Proscriptor McGovern (Absu) em “Flesh to the Crows” e a ajuda de Hugo Santos (Process Of Guilt) nas vozes elevam ainda mais a qualidade deste “The Noble Search” .O único entrave deste disco, se é que lhe podemos chamar assim, é a sua complexidade. Não é um trabalho fácil de assimilar à primeira audição, uma vez que tem uma sonoridade única. No entanto, aqueles que tiverem a "paciência" para o deixar crescer com mais algumas audições, de certeza que não se arrependerão.

Crítica originalmente escrita para a Rock Heavy Loud.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Unlight: Death Consecrates With Blood

Unlight
"Death Consecrates with Blood"
Massacre Records
7/10

Da Alemanha, chega-nos o novo álbum dos Unlight. “Death Consecrates with Blood” é o quarto longa-duração da banda, que pratica um Black Metal agressivo com alguns laivos de Thrash Metal. Logo no tema de abertura, percebemos que os Unlight preferem a abordagem directa, entrando em peso e sem recorrer a introduções. A canção é rápida, combinando blastbeats com a velocidade do Thrash. As guitarras fazem lembrar várias vezes Marduk e Dark Funeral e a voz, embora típica, soa bem com o instrumental. No entanto, é aqui que vai residir o calcanhar de Aquiles do álbum, porque a caracterização do primeiro tema assenta que nem uma luva à maioria restante que compõe “Death Consecrates with Blood”. As excepções são “The Passing of the Black Storms” e “Carnal Baptism… The Wine of Sin”. A primeira faixa mencionada é, sem dúvida, a mais melódica e variada do disco, contendo algumas variações de tempo interessantes e um solo de guitarra, apesar de simples. A segunda, por sua vez, já é bastante arrastada, lembrando de novo Marduk. Apesar das suas desvantagens, a boa produção e temas como “Death Consecrates with Blood” ou “That Old Magick Spell”, tornam o quarto disco dos Unlight merecedor de alguma atenção, embora não tragam nada de novo ao género. Resumindo, “Death Consecrates with Blood” demonstra que esta banda é capaz de compor canções interessantes capazes de cativar os fãs de Black Metal mais pesado. Contudo, este disco acaba por ser um pouco repetitivo e não nos oferece nada de refrescante, sendo óbvias as influências dos ícones do seu estilo.

Crítica originalmente escrita para a Rock Heavy Loud.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Heiden: Obsidian

Heiden
"Obsidian"
Naga Productions
8/10

Os Heiden foram mais uma banda desconhecida que me chegou às mãos. São da República Checa e formaram-se em 2003. Nos seus dois primeiros álbuns, “Potomkům Pozemského Soumraku” (2004) e “Tinne” (2005), tocavam Black Metal pagão, mas em “Era 2” (2007) já se começavam a notar transformações na sonoridade do colectivo. “Obsidian” é o seu quarto disco e, tal como o seu antecessor, também traz mudanças a nível sonoro. Segundo a informação que acompanha a promo, os Heiden tocam agora uma “mistura orgânica de Black/Doom e Rock cheia de melancolia e negatividade”. Depois de algumas audições, conclui-se que a descrição é correcta, embora não seja muito fácil definir onde começa e acaba o som da banda. A canção que abre o álbum, “Nostalgia Echo”, é lenta, fria e distante. No entanto, como funciona como uma intro, ficamos sem saber exactamente o que esperar do resto do disco. É com “Catharsis”, um tema mid-tempo e mais virado para o Rock pesado e obscuro do que para o Black Metal, que as cortinas negras se abrem. Em “Triad”, ouvimos blastbeats pela primeira vez. Apesar de ser uma faixa mais pesada e rápida que a anterior, não se distancia muito de “Catharsis”. Segue-se a lenta “At A Funeral”, que nos remete ligeiramente para Mayhem e Shining, com Kverd a cantar de uma forma bastante semelhante a Attila e Kvarforth. Para além disso, vale a pena mencionar também o excelente trabalho de guitarra, que realça ainda mais a frieza de “Obsidian”. Com “Post Lux Tenebras”, os Heiden alteram um pouco a sua abordagem e oferecem-nos a canção mais rápida e pesada do disco. Os riffs carregados de groove, que lembram o Black n’ Roll de uns Khold ou Satyricon mais recentes, e a agressividade do tema só ajudam a tornar este longa-duração ainda mais cativante. Contudo, “Obsidian” não está isento de defeitos. Em primeiro lugar, dá a ideia de que a banda se perde um pouco em algumas das suas composições, isto é, há passagens que parecem estar lá só para encher o álbum. E, em segundo lugar, “Buried 100 Years Ago” está completamente deslocada das restantes faixas. É uma boa canção, bastante depressiva e interessante, mas acaba por parecer que nos puseram outro CD no leitor. Mesmo assim, o quarto longa-duração dos Heiden é um lançamento competente. É verdade que algumas arestas ficaram por limar, mas tenho a certeza que os amantes de Metal melancólico e negro acharão algo de interessante neste disco.

Crítica originalmente escrita para a Rock Heavy Loud.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Hellsaw: Cold

Hellsaw
"Cold"
Napalm Records
7,5/10

Desde que se formaram, a reputação e criatividade dos Hellsaw não tem parado de crescer. “Cold” é o novo disco desta banda austríaca e o primeiro lançado pela Napalm Records. A sua sonoridade pode ser facilmente caracterizada como Black Metal. Contudo, não pensem que este lançamento é mais uma cópia sem feeling dos ícones do género. Apesar de não trazerem nada de novo a este espectro musical, a boa produção e a forma como os Hellsaw compõem as suas canções, albergando melodia, frieza, agressividade e passagens ambientais, tornam “Cold” digno da atenção dos fãs do género. O dedilhado inicial da faixa de abertura, “A Suicide Journey”, leva-nos a perguntar se “Cold” será realmente um título adequado, uma vez que transmite um sentimento mais romântico e quente do que um obscuro e frio. No entanto, quando as guitarras distorcidas e geladas, acompanhadas por uma bateria a meio tempo e que sofre várias variações ao longo do tema, se misturam com a voz agoniada de Aries, percebemos a relação entre a música dos Hellsaw e o titulo do álbum. Apesar de faixas como “Psycho Pastor”, “Sulphur Prayer” ou “A Suicide Journey” respirarem frieza, a verdade é que o resultado final não é tão frio quanto possa parecer. Mas isso não é necessariamente mau quando temos canções como “Cold Aeon” ou “I Saw Hell”. Se a primeira apresenta variações de tempo interessantes e algumas vozes sussurradas que dão atmosfera à música dos Hellsaw, a segunda é um tema mais virado para o Black’n’Roll, fazendo lembrar de certa forma Satyricon, mesmo que alguns pormenores de guitarra sejam improváveis de encontrar nas composições de Satyr e companhia. Resumindo, “Cold” é um disco interessante e, apesar de não ser tão frio quanto possa parecer, a forma como mistura os vários campos explorados pelo Black Metal só abona a seu favor. Se procuram um bom disco deste género e não querem um projecto extremamente obscuro, talvez seja bom ouvir este novo lançamento dos Hellsaw.

Crítica originalmente escrita para a Rock Heavy Loud.

Wyrd: Kalivägi

 Wyrd
"Kalivägi"
Naga Productions
8/10

Os Wyrd formaram-se em 1998, depois do antigo projecto de Narqath, Hellkult, ter terminado. Inicialmente, praticavam Black Metal pagão, com um toque depressivo e ambiental à la Burzum. Durante cinco álbuns, a banda foi aperfeiçoando a sua sonoridade e adicionando alguns elementos musicais diferentes. No entanto, com o lançamento de “The Ghost Album” (2006) e “Kammen” (2007), notou-se que Narqath queria explorar uma sonoridade igualmente melancólica, mas mais inclinada para algo como o que Katatonia faziam entre 1996 e 1998. 

“Kalivägi”, o oitavo longa-duração dos Wyrd, aponta para uma direcção musical diferente em relação ao seu antecessor. Apesar de poder ser considerado como um regresso às origens, uma vez que recupera vários elementos de álbuns como “Huldrafolk” ou “Vargtimmen PT. II”, este novo lançamento engloba também algumas influências dos discos mais recentes. Para além disso, a voz de Narqath sofreu algumas mudanças, variando agora entre as vozes rasgadas do Black Metal e um registo limpo arrastado. “Verisurma”, a faixa que abre este registo, demonstra uma mistura entre o som primitivo e mais recente dos Wyrd. É um tema ligeiramente rápido, onde a presença dos órgãos proporciona a típica atmosfera pagã dos primeiros álbuns da banda. As guitarras, por outro lado, já apontam para a sonoridade dos discos mais recentes. Em seguida, temos “Kalivägi”, que é uma canção arrastada, próxima do Doom Metal. Mais uma vez, existe a dualidade entre o material antigo e o mais recente. O primeiro de novo pelos órgãos e o segundo pelo solo rockeiro, perto do final do tema. Nas restantes quatro faixas, é a sonoridade antiga dos Wyrd que predomina. Seja pelos dedilhados acústicos e melancólicos de guitarra de “Hämärän Soutajat”, pelos dedilhados distorcidos acompanhados pelo subtil toque ambiental dos teclados (que lembram Burzum) na longa e depressiva “Talviyö”, ou pela velocidade de canções como a excelente e cativante “Loitsulaulu” ou “Kaikki Metsän Kaiut”, que a meio descamba para algo mais lento e ambiental.

Resumindo, “Kalivägi” é mais um passo em frente na carreira dos Wyrd. Apesar de Narqath fazer uso de vários elementos musicais já presentes nos discos anteriores, a forma como os combina e o toque experimental/inovador que dá às suas composições, tornam este novo álbum em algo especial e único na discografia destes finlandeses. Recomendado aos fãs da banda e a todos que gostem de Metal pagão.

Crítica originalmente escrita para a Rock Heavy Loud.