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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Destruction: Spiritual Genocide

Destruction
"Spiritual Genocide"
Nuclear Blast
8/10

A comemorar 30 anos de carreira, os Destruction assinalam o feito com um novo lançamento. “Spiritual Genocide” é o 13º álbum do grupo e, apesar de começar a todo gás ao som da poderosa “Cyanide”, cedo mostra indícios de ser um trabalho menos pesado e rápido do que os seus mais recentes antecessores. A produção, que ficou a cargo de Andy Classen, também revela diferenças, soando menos cheia e pesada, mas, em contrapartida, mais oldschool. Ainda que existam alguns temas bem agressivos e velozes, como é o caso de “No Signs of Repeatance” ou “Under Violent Sledge”, são o groove e os ritmos mais lentos que predominam. Contudo, não se preocupem, porque Schmier e companhia sabem como manter o ouvinte interessado. Basta ouvir “To Dust We Will Decay” ou a faixa-título, por exemplo. “Legacy of the Past” é outra canção que se destaca ao longo do disco, graças à sua unicidade. Trata-se de uma espécie de retrospetiva do surgimento do Thrash Metal teutónico que conta com a participação vocal de Tom Angelripper (Sodom) e Gerre (Tankard). Em resumo, um disco equilibrado e cativante que comprova que os Destruction, após estes anos todos, ainda têm trunfos na manga.

Crítica originalmente publicada na Infektion Magazine nº19.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Pig Destroyer: Book Burner

Pig Destroyer
"Book Burner"
Relapse Records
8,5/10

Desde 2007 sem editar qualquer material, os Pig Destroyer atravessaram um período complicado que chegou a colocar em causa a continuidade da sua carreira e até culminou na saída do baterista Brian Harvey. Felizmente, essa fase negativa já está ultrapassada e o coletivo natural de Washington D.C. regressa com “Book Burner”, uma notável descarga de Grindcore com 32 minutos de duração dividida em 19 faixas. Scott Hull volta a brindar-nos com riffs demolidores e pegajosos, JR Hayes adota um registo mais grave, mas igualmente raivoso, e Blake Harrison ajuda a criar a atmosfera doentia necessária através das suas samples. A ocupar o lugar por detrás do kit da bateria está agora Adam Jarvis (dos Misery Index), sendo responsável por uma prestação de encher o olho que, além de dinâmica e técnica q.b., flui muito bem com o trabalho de guitarra. Ao caos criado por estes quatro membros, junta-se ainda em alguns temas a contribuição vocal dos convidados Jason Netherton (também dos Misery Index) e Richard Johnson e Kat (ambos dos Agoraphobic Nosebleed), que confere a este álbum uma maior variedade. Apesar de todos os seus trunfos, falta a “Book Burner” algo que sacie completamente as elevadas expetativas criadas ao longo destes últimos cinco anos. De todas as formas, estamos perante um candidato a figurar na lista dos melhores lançamentos de 2012.

Crítica originalmente publicada na Infektion Magazine nº18.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Behexen: Nightside Emanations

Behexen
"Nightside Emanations"
Debemur Morti
7/10

Vá-se lá saber se por capricho ou mera coincidência, todos os álbuns dos Behexen estão separados por um intervalo de quatro anos. Depois da ligeira desilusão que foi “My Soul for His Glory”, os finlandeses surgem com o seu quarto registo, “Nightside Emanations”, no qual contam com a preciosa ajuda de uma nova dupla de guitarristas, constituída por Wraath e Shatraugh, mentor de outra respeitada banda do país dos mil lagos, os Sargeist. Terminada a lúgubre introdução que dá início a este disco, “Wrathful Dragon Hau-Hra” e “Death’s Black Light” fustigam o ouvinte com uma fúria contagiante. São dois temas rápidos, embora bem distintos, possuidores de uns riffs que têm tanto de maléfico como de orelhudo. Em seguida, "Circle Me…” e “We Burn with Serpent Fire” adotam um compasso mais lento, mas não menos cativante, onde os Behexen mostram a vertente decadente e ritualista do seu Black Metal ortodoxo. Porém, o entusiasmo criado por este conjunto de temas acaba por esmorecer na segunda parte de “Nightside Emanations”. Não é que faixas como “Awaken Tiamat” ou “Shining Death” sejam más, longe disso. Não estão é ao nível do material apresentado na primeira metade do álbum que, por si só, é digna da atenção dos fãs de Black Metal da segunda vaga.

Crítica originalmente publicada na Infektion Magazine nº18.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

God Seed: I Begin

God Seed
"I Begin"
Indie Recordings
8,5/10

Ultrapassados os problemas e controvérsias inerentes à sua formação, os God Seed estreiam-se finalmente com “I Begin”. Atendendo ao percurso musical de Gaahl e King ov Hell, as probabilidades de estarmos perante um disco de Black Metal direto eram elevadas e os minutos iniciais do tema de abertura, “Awake”, apontam exatamente nessa direção. Contudo, o uso subtil de teclados Hammond já perto do fim é um prenúncio para o que se segue. “This from the Past” mantém a abordagem furiosa e veloz até que, a meio, abranda para um compasso dominado pelas teclas de Geir Bratland que nos remete inesperadamente para um ambiente 70s, com claras influências psicadélicas e espaciais. A partir daqui, o cruzamento entre o Black Metal e as referências ao Prog Rock dos anos 70 passa a ser uma constante, assim como a alternância entre faixas rápidas e outras mais arrastadas. “From the Running Blood” e “Aldrande Tre” são bons exemplos da veia mais agressiva da banda norueguesa, ao passo que “Alt Liv” ou a belíssima “Hinstu Dagar”, com um refrão de voz limpa que evoca tenuemente o trabalho recente dos Enslaved, são composições mais lentas e ritualistas. Já no fim, os God Seed voltam a surpreender com "Bloodline”, um instrumental puramente eletrónico e possuidor de uma atmosfera sinistra. Não há dúvidas que “I Begin” é uma semente de qualidade, agora é esperar que os rebentos sejam tão bons ou melhores.

Crítica originalmente publicada na Infektion Magazine nº18

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Cradle of Filth: The Manticore and Other Horrors

Cradle of Filth
"The Manticore and Other Horrors"
Peaceville Records
7,5/10

Após um EP e a uma compilação medíocres, os Cradle of Filth estão de volta com o seu décimo álbum, “The Manticore and Other Horrors”. Desta vez, os britânicos apresentam uma abordagem mais direta quando comparada à dos discos anteriores, reduzindo os floreados orquestrais ao essencial e apostando na força das guitarras. Liricamente, Dani Filth também se afasta das obras concetuais em detrimento de um conjunto de histórias sobre monstros, no qual a Manticora, uma criatura mitológica persa, ocupa o papel principal. Da brutalidade de “The Abhorrent”, passando pelos andamentos Punk de “For Your Vulgar Delectation” ou pelo orientalismo de “Manticore”, até à orientação romântica e teatral de “Frost on Her Pillow”, a banda assina um trabalho cativante e variado que materializa a sua vontade em manter-se relevante na atualidade. No entanto, por mais competente que a formação atual seja, está longe de recuperar aquela magia que tornou os Cradle of Filth numa banda à parte durante os anos 90. Os tempos são outros, a voz de Dani Filth já não é o que era e o pesado legado que fica para trás também não ajuda. Ainda assim, “The Manticore and Other Horrors” não deixa de ser uma peça interessante no percurso recente dos britânicos.

Crítica originalmente publicada na Infektion Magazine nº18