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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Master: The New Elite

Master
"The New Elite"
Pulverised Records
8/10

Se há coisa de que Paul Speckmann não pode ser acusado é de falta de dedicação e persistência. Apesar de o seu contributo para o Metal extremo continuar a ser largamente ignorado, o norte-americano não abre mão da sua paixão e “The New Elite”, o 11º disco com os seus Master, é mais uma prova da sua perseverança. Os ingredientes continuam a ser os mesmos de sempre – Death Metal com ritmos influenciados pelo Thrash Metal e pelo Punk e, a acompanhar, uma voz que berra que a sociedade dos dias de hoje não está bem e que é preciso fazer alguma coisa – mas existe aqui qualquer coisa de especial. Tudo soa mais vívido, o trabalho de guitarra é fenomenal, tanto a nível de riffs como de solos, a secção rítmica mostra-se segura e a voz de Speckmann já não soava assim tão raivosa e arrogante há muito tempo. E, embora a alta velocidade a que este material é destilado nos comece a dar uma sensação de monotonia à medida que se aproxima do fim, não há como resistir à energia de canções como “Rise Up and Fight” ou “Smile as You’re Told”. Conseguir sacar da cartola um álbum tão contagiante como este após quase 30 anos de carreira não é, definitivamente, para todos. Pode não ser o melhor dos Master, mas que não fica a dever nada a pérolas como “Master” ou “On the Seventh Day God Created… Master”, lá isso não fica.

Crítica originalmente escrita para a Infektion Magazine nº17.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Heiden: Obsidian

Heiden
"Obsidian"
Naga Productions
8/10

Os Heiden foram mais uma banda desconhecida que me chegou às mãos. São da República Checa e formaram-se em 2003. Nos seus dois primeiros álbuns, “Potomkům Pozemského Soumraku” (2004) e “Tinne” (2005), tocavam Black Metal pagão, mas em “Era 2” (2007) já se começavam a notar transformações na sonoridade do colectivo. “Obsidian” é o seu quarto disco e, tal como o seu antecessor, também traz mudanças a nível sonoro. Segundo a informação que acompanha a promo, os Heiden tocam agora uma “mistura orgânica de Black/Doom e Rock cheia de melancolia e negatividade”. Depois de algumas audições, conclui-se que a descrição é correcta, embora não seja muito fácil definir onde começa e acaba o som da banda. A canção que abre o álbum, “Nostalgia Echo”, é lenta, fria e distante. No entanto, como funciona como uma intro, ficamos sem saber exactamente o que esperar do resto do disco. É com “Catharsis”, um tema mid-tempo e mais virado para o Rock pesado e obscuro do que para o Black Metal, que as cortinas negras se abrem. Em “Triad”, ouvimos blastbeats pela primeira vez. Apesar de ser uma faixa mais pesada e rápida que a anterior, não se distancia muito de “Catharsis”. Segue-se a lenta “At A Funeral”, que nos remete ligeiramente para Mayhem e Shining, com Kverd a cantar de uma forma bastante semelhante a Attila e Kvarforth. Para além disso, vale a pena mencionar também o excelente trabalho de guitarra, que realça ainda mais a frieza de “Obsidian”. Com “Post Lux Tenebras”, os Heiden alteram um pouco a sua abordagem e oferecem-nos a canção mais rápida e pesada do disco. Os riffs carregados de groove, que lembram o Black n’ Roll de uns Khold ou Satyricon mais recentes, e a agressividade do tema só ajudam a tornar este longa-duração ainda mais cativante. Contudo, “Obsidian” não está isento de defeitos. Em primeiro lugar, dá a ideia de que a banda se perde um pouco em algumas das suas composições, isto é, há passagens que parecem estar lá só para encher o álbum. E, em segundo lugar, “Buried 100 Years Ago” está completamente deslocada das restantes faixas. É uma boa canção, bastante depressiva e interessante, mas acaba por parecer que nos puseram outro CD no leitor. Mesmo assim, o quarto longa-duração dos Heiden é um lançamento competente. É verdade que algumas arestas ficaram por limar, mas tenho a certeza que os amantes de Metal melancólico e negro acharão algo de interessante neste disco.

Crítica originalmente escrita para a Rock Heavy Loud.