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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Grand Supreme Blood Court: Bow Down Before the Blood Court

Grand Supreme Blood Court
"Bow Down Before the Blood Court"
Century Media
7,5/10

Os Grand Supreme Blood Court nasceram do regresso de Eric Daniels, ex-guitarrista dos Asphyx, às lides metálicas após vários anos de ausência. Fazendo-se acompanhar por músicos veteranos, entre os quais o carismático Martin van Drunen, o holandês apresenta aqui o álbum de estreia do seu novo projeto. Em termos de sonoridade, “Bow Down Before the Blood Court” assemelha-se imenso ao Death/Doom Metal praticado pelos Asphyx, o que não admira, já que ambas as bandas partilham três membros em comum além de Eric. Apesar de um bom início com “All Rise!”, só a partir do quinto tema, Behead the Defence”, é que o disco começa a revelar os seus pontos fortes. Depois da pequena surpresa que é o instrumental “Grand Justice, Grand Pain”, é criado um equilíbrio eficaz entre a velocidade furiosa de “Fed to the Boars” e “Piled Up for the Scavengers” e canções mais arrastadas como “Circus of Mass Torment” e “Public Castration”, terminando tudo com “…And Thus the Billions Shall Burn”, um épico de quase 10 minutos. No final, não restam dúvidas em relação à competência da banda, mas depois de uma bomba como “Deathhammer”, com uma sonoridade e produção tão semelhantes, este trabalho acaba por ficar uns furos abaixo do esperado. Ainda assim, escutem a brutal sentença proferida por estes cinco juízes. Não darão o vosso tempo por perdido.

Crítica originalmente publicada na Infektion Magazine nº19.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Entrevista: Grand Supreme Blood Court

Compostos por membros de Asphyx e Hail of Bullets, entre os quais se destaca o recém-regressado guitarrista Eric Daniels, os Grand Supreme Blood Court prometem dar que falar. Aproveitando o lançamento do álbum de estreia do grupo, conversámos com o vocalista Martin van Drunen.

Como começou este projeto e como culminou no lançamento do “Bow Down Before the Blood Court”?
Tudo começou quando o Eric veio ter comigo e com o Bob após alguns anos sem fazer Metal. Quando voltámos ao ativo com os Asphyx, ele estava indisponível para se juntar a nós, porque andava muito ocupado e tinha outras prioridades na sua vida. Encontrámos o Paul como o substituto perfeito. É óbvio que com um estilo um pouco diferente, mas a sonoridade era praticamente a mesma. A forma como ambos tocam guitarra é muito semelhante. Ao longo dos anos, o Eric manteve sempre o contacto connosco, somos amigos. Por isso, quando ele nos falou da sua ideia, em 2009, propusemos ir para a sala de ensaios improvisar um pouco e ver onde aquilo nos levava. Na altura, o projeto nem se chamava Grand Supreme Blood Court, mas sim The Company of Undertakers. Estávamos a divertir-nos imenso e o Alwin disse-nos que sentia saudades de tocar guitarra, visto que é o Paul que compõe o material todo para os Asphyx atualmente. Apesar de tocar baixo nos Asphyx e de também o ter feito nos Pulverizer, o Alwin é guitarrista nos Escutcheon. Então, ele e o Eric juntaram-se e criaram montes de riffs maravilhosos. Antes que dessemos conta, já tínhamos todas as canções compostas. Foi aí que o Eric me pediu para ser eu o vocalista e, como o material era tão bom e brutal, eu aceitei e comprometi-me a escrever as letras também. Só faltava um baixista para completar a formação e falei ao Eric do Theo, já que é um tipo impecável nos Hail of Bullets. Todos o conhecíamos e sabíamos como trabalhava, por isso achámos que era a melhor coisa a fazer. Não queríamos enfiar um estranho na banda. Depois, a Century Media ficou curiosa com o que andávamos a fazer e perguntou-nos se podia ouvir aquilo que compusemos. Dissemos que sim, claro. Assim que ouviu, pediu-nos para lançar o material e aceitámos. A maioria de nós trabalha com a editora e o Eric ainda recebe alguns direitos de autor por causa dos discos antigos dos Asphyx. Por isso, foi algo muito confortável. Resumidamente, é esta a história.

Há, claramente, um conceito por detrás das letras. Podes falar um pouco sobre ele e contar como surgiu?
Na verdade, foi uma coincidência, já que, inicialmente, o projeto se chamava The Company of Undertakers. Tinha esse nome, porque, apesar de não o vermos como uma brincadeira, era apenas algo para nos divertirmos. Porém, com o tempo, as estruturas das canções, os riffs e afins ficaram tão bons e profissionais que chegámos à conclusão que tínhamos dar um passo em frente. O conceito surgiu quando estava com o Eric enquanto ele escrevia as partes de guitarra. De repente, sentei-me no sofá e veio-me à cabeça uma ideia à qual chamei “Supreme Blood Court”, ou algo do género. Contei-lhe a minha ideia e ele mostrou-se muito entusiasmado e incentivou-me a desenvolvê-la. Então, comecei a escrever sobre isso e as canções ficaram prontas. Foi muito divertido e prazeroso. No entanto, apesar de ser um disco de Death Metal e as letras serem típicas do género, as pessoas deviam ler o que escrevi como uma espécie de livro de banda-desenhada. Como se fosse um livro de banda-desenhada sobre os cinco juízes que aparecem na Terra do nada e começam a servir justiça. Ninguém é preso, todos morrem no fim. A sentença é sempre a morte.

Sim, todos morrem cremados no final.
Exato. Tudo depende do crime que cometeste e se a sentença vai ser dolorosa e lenta, ou piedosa e rápida. Foi muito divertido escrever esta história e acho que liga muito bem com a banda.

Sem dúvida. Contudo, apesar de ser um conceito refrescante, também parece ser um pouco limitado. Foi difícil escrever um álbum inteiro sobre ele?
Podes crer que foi! (risos) No início, começas cheio de frescura e com um montão de ideias, mas, depois, à medida que vais escrevendo, apercebes-te que te estás a repetir. Só falas da justiça, dos juízes e das brutais sentenças de morte. De repente, apercebes-te que a tua fonte de inspiração está completamente gasta. Eu lia as letras e via que estava sempre a repetir versos. Foram precisas várias revisões, porque tinha de ser mais original e fazer algo melhor. No fim, foi muito difícil, especialmente as duas últimas letras. Até encontrar ideias novas, andava às voltas. Algumas palavras ainda se repetem, mas tentei evitá-lo ao máximo. Foi uma verdadeira luta.


Ainda é muito cedo, mas achas que vais utilizar o mesmo conceito no próximo álbum?
Não! O que acontece é que, quando trabalho com bandas, gosto de estar sempre à frente dos acontecimentos. Por exemplo, se termino um álbum, gosto de começar a pensar imediatamente em ideias para o próximo. Não gosto de me sentir desinspirado quando me apresentam ideias para um novo trabalho. Com os Grand Supreme Blood Court, estava num dilema, porque tinha esgotado todos os meus recursos. Só há pouco tempo é que me surgiu uma ideia diferente quando estava na sala de ensaios. Foi uma coincidência, até. Também está relacionada com tribunais, mas vai ser diferente. Pelo menos, já tenho uma ideia para um próximo álbum. De certeza que vamos lançar mais um, porque adorámos fazer este.

Como foi trabalhar com o Eric depois de tantos anos?
Deixei de trabalhar com ele depois do “Last One on Earth”, ao passo que o Bob foi após o “On the Wings of Inferno”, de 2000. Ao longo dos anos, continuámos amigos, por isso não existia qualquer animosidade entre nós. Sempre foi uma boa relação. Voltar a trabalhar com ele foi uma espécie de flashback, especialmente quando nos juntámos os três na sala de ensaios e pensámos “aqui estamos nós outra vez”. Para mim, o melhor foi ver o Eric voltar a fazer aquilo que mais gosta, tocar Death Metal. Ele é um grande compositor de riffs e um excelente guitarrista dentro do seu estilo. Não é um solista, mas a forma como escreve riffs… Foi mesmo muito bom ver o prazer que ele retira disto tudo. Simplesmente fantástico.

Será que podemos ver este projeto como uma continuação do que vocês fizeram enquanto estiveram juntos nos Asphyx? Isto é, como se os Asphyx tivessem terminado depois do “Last One on Earth” e tivessem regressado agora sob outra denominação…
Nem por isso, porque nunca foi essa a nossa intenção. Quando o Eric veio ter connosco, não imaginámos sequer que acabaríamos por lançar um disco. Depois, a Century Media pediu-nos para lançar o álbum, porque achava que tinha potencial. E nós aceitámos. Por que não haveríamos de o fazer? O material já estava composto. A grande diferença entre hoje e o passado é que o Eric não estava habituado a trabalhar com outro guitarrista. Ele foi sempre o único guitarrista nas bandas em que tocou. Por isso, estava um pouco cético em relação a isso. No entanto, depois de ter trabalhado com o Alwin, disse que houve uma química perfeita entre os dois. Com certeza terás reparado em algumas melodias ao longo do álbum que não parecem ter sido escritas pelo Eric. Essas partes são as do Alwin. Muita gente ficaria surpreendida se soubesse o quanto ele contribuiu para este trabalho. No que toca às guitarras, acho que foi mesmo 50/50 entre ele e o Eric. No entanto, voltando à tua pergunta, a resposta é sim. Podes ver este projeto como uma continuação do que eu, o Bob e o Eric fizemos no passado.

Até porque este projeto e os Asphyx partilham muitas semelhanças. Algo que não admira, já que vocês os três fazem, ou já fizeram no caso do Eric, parte dos Asphyx. Além disso, tanto este álbum como o “Deathhammer” foram misturados pelo Dan Swanö. Não te preocupa que as pessoas pensem que as duas bandas são demasiado parecidas? Ou achas que existem claras diferenças entre elas?
Em primeiro lugar, penso que existem algumas diferenças, mas é óbvio que existem muitas semelhanças também. Nós perguntámo-nos muitas vezes o que devíamos fazer. Teria sido melhor não fazer nada e deixar o material arrumado na estante? Teria sido uma pena! Já sabíamos que as pessoas nos iam perguntar se não teria sido mais simples o Eric regressar aos Asphyx. Contudo, há uma explicação para isso. A base dos Asphyx de antigamente e de hoje é a mesma, ou seja, nunca nos vamos vender e iremos sempre preservar o estilo brutal que temos. No entanto, há uma clara diferença entre o que eram os Asphyx antigamente e o que são hoje. O que acontece com os Grand Supreme Blood Court é que, principalmente devido aos riffs do Eric, remetem um pouco para o estilo antigo dos Asphyx. Claro que existem semelhanças, mas atualmente é o Paul que escreve tudo para os Asphyx. Foi ele que escreveu o “Death… the Brutal Way” e o “Deathhammer”. Acho que teria sido uma falta de respeito para com ele expulsá-lo só para trazer o Eric de volta. Não teria sido nada simpático, como deves entender. O surgimento deste projeto foi uma espécie de desenvolvimento a partir dos problemas que falei. Acabámos por fazer um disco e, ao que parece, o Alwin gostou muito de se ter juntado a nós, tal como o Theo. Foi assim que aconteceu e não queremos ofender ninguém! Simplesmente fazemos aquilo de que gostamos. Achamos que o material é muito bom e divertimo-nos imenso. Haverá sempre gente a atacar-nos. No entanto, é como já disse, íamos deixar este material arrumado na estante?


Não acredito que as pessoas vos ataquem por causa disso. O que acontece é que tu, em especial, tens um estilo muito característico e a forma como cantas nos Asphyx ou nos Hail of Bullets, por exemplo, é muito semelhante. As pessoas notam isso, mas não o veem como algo negativo, entendes?
Sim, acho que tens razão. É difícil para mim, é a minha voz. Com os Asphyx tento fazer gritos mais agudos, ao passo que nos Hail of Bullets tento fazê-los mais graves. Dá sempre para ver que sou eu, é a minha voz. (risos) Independentemente do que faça, é assim que soa. Antes de o Eric vir ter comigo, pensava que já tinha duas bandas e que não me ia meter em mais nenhum projeto, senão seria demasiado. Nunca esperava era que o Eric viesse ter comigo com uma proposta tão aliciante. Não é que ele me tenha implorado, mas notei que ele queria muito que me juntasse a ele e não consegui dizer que não. Era bom demais para dizer que não.

Claro, não te estou a julgar! (risos) Não tens culpa de ter um registo tão característico. Aliás, isso até é muito bom.
Sim, mas, em certa medida, acabas por ter razão. Às vezes, acho que estou a exagerar com estas bandas todas. No entanto, de uma coisa tenho a certeza. Esta vai ser a última banda em que me envolvo, independentemente do que acontecer! (risos) Já cheguei ao meu limite de bandas.

Mas não criarias uma banda onde não tocasses Death Metal e fosses baixista em vez de vocalista? Afinal de contas, chegaste a tocar baixo nos Asphyx e nos Pestilence.
Tenho falado dessa ideia com um amigo meu nos últimos cinco anos. Ele toca Hardcore e, uma vez, estávamos numa festa e eu disse-lhe que se alguma vez criasse um projeto onde só tocasse baixo que seria algo na onda de Discharge antigo, GBH, por aí. E seria esse meu amigo a assumir as vozes. Para mim, já chega de ser vocalista! (risos) No entanto, não vou concretizar essa ideia para já, porque estou demasiado ocupado com outras coisas.

Regressando aos Grand Supreme Blood Court, o vosso primeiro espetáculo vai ser na Alemanha, no dia 1 de Dezembro. Já ensaiaram muito?
Ensaiámos uma vez com a banda completa e algumas vezes só eu, o Bob e o Eric. Foi mais por causa do Eric, porque há muito tempo que não pisa um palco. Eu e os restantes membros já somos veteranos. Fazemos espetáculos durante o ano todo, por isso não é nada de novo. Será entusiasmante partilhar o palco com o Eric depois destes anos todos. No entanto, também será estranho. O espetáculo é a um Sábado e o que vamos fazer é um ensaio geral na Sexta-Feira. Todos sabemos qual é o nosso papel e estamos ansiosos para tocar.

E que planos têm para a agenda da banda?
Não exagerar. Nunca tivemos a intenção de tocar tanto ao vivo como nos Asphyx ou nos Hail of Bullets. Por isso, se fizermos mais espetáculos, queremos que sejam mais exclusivos. Muita gente já nos perguntou o motivo de o nosso primeiro espetáculo ser em Ingolstadt. Escolhemos esse lugar, porque as pessoas que estão a organizar o evento são muito especiais. Costumam organizar um festival chamado Death Doomed the Age e é sempre um evento muito especial. Por exemplo, este ano receberam o primeiro espetáculo de sempre dos Death Strike. Quando souberam que íamos lançar um disco, convidaram-nos e nós aceitámos, porque sabemos que organizam tudo muito bem. A comida é maravilhosa, assim como o ambiente e a cerveja. Vai ser muito bom! Depois, talvez façamos alguns espetáculos na Holanda. Gostaríamos de tocar no Party.San outra vez, por exemplo, porque gostamos muito desse festival. A partir daí, talvez escolher alguns concertos em alguns países onde realmente desejemos tocar.


E já que falas de festivais, tocaste este ano com os Asphyx e os Hail of Bullets cá em Portugal, no SWR Barroselas Metalfest. Gostaste da experiência e do festival?
Se gostei! Foi muito bom. Em primeiro lugar, o festival era fantástico, assim como o ambiente. Por vezes, até andava lá no meio do pessoal e tudo…

Sim, eu vi-te e até chegámos a conversar!
A sério? (risos)

Sim, estive no meet & greet contigo.
Porreiro! (risos) Há coisas que nunca esquecemos! Lembro-me de uns grandes bonecos de cartão que lá estavam e um deles era eu. Tirámos algumas fotografias e divertimo-nos imenso. Também nos fizeram uma espécie de questionário com os Hail of Bullets. A única coisa má, e não sei a razão para ter acontecido, foi a minha voz estar danificada. Talvez tenha sido por causa dos voos regulares e do ar condicionado dos aviões. Quando estava em palco com os Asphyx, tive problemas com a voz. Foi uma verdadeira treta! No fim, achámos que vocês mereciam mais! Queremos voltar aí e fazer um espetáculo como deve ser.

Sim, mas safaram-se…
No fim, sim. Com os Hail of Bullets, estava em plena forma. Correu muito bem, mas com os Asphyx… Quando acabou, até dissemos que foi o pior concerto que demos. Eu sei que as pessoas gostaram muito. Foi divertido ver o Tony, dos Whiplash, a saltar do palco a meio do nosso concerto. No fim, ele veio ter connosco e elogiou-nos, mas eu disse que estava triste com o que tinha acontecido e que me sentia mal, porque achava que podíamos ter feito muito melhor. Se calhar, como público, vocês não sentem isso, mas como banda, nós sentimos que podíamos ter feito melhor e que vocês mereciam mais. Ainda bem que gostaram. No fim de contas, o espetáculo nem foi assim tão mau, mas o início foi um pouco atabalhoado, especialmente por causa da minha voz. Quando tens problemas de voz, tens de aquecer durante uns três ou quatro temas e consegues recuperá-la por mais algum tempo. Só não entendi qual foi o problema. Como disse, penso que tem a ver com os voos regulares. Uns dias antes, estivemos na Roménia e, depois, eu fui para Portugal por causa do concerto de Hail of Bullets e, logo no dia a seguir, subi ao palco com os Asphyx. É estranho, porque quando andámos em digressão por Maryland, nos E.U.A., nunca tive a voz em perfeitas condições, apesar de treinar muito. Daí defender que o problema se deve ao ar condicionado dos aviões. Mas, voltando ao festival, se nos convidarem para ir aí outra vez, nós vamos! (risos) Os meus cumprimentos aos organizadores pelo seu trabalho fantástico. Só foi pena os Hirax não terem aparecido…

E, pronto, chegámos ao fim. Alguma coisa que queiras acrescentar?
Apenas que esperamos regressar aí, porque não ficámos satisfeitos com o último espetáculo. Teremos a nossa vingança! De certeza que voltaremos a Portugal, porque adorámos o tempo que passámos aí. E, quem sabe, se formos aí com os Asphyx, basta comprar dois bilhetes extra, para o Theo e o Eric, e os Grand Supreme Blood Court também poderão tocar! (risos) Muito obrigado a ti e ao resto dos fãs portugueses que vieram ver-nos e nos apoiam.

Entrevista realizada em colaboração com a Infektion Magazine.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Ao vivo: Desire

Desire
Hard Club, Sala 2 - 08/12/2012

De regresso aos palcos para comemorar os seus 20 anos de carreira, os Desire vieram atuar no Porto, depois de o terem feito em Lisboa dois dias antes. Já passava das 22h30 quando os lisboetas subiram ao palco da Sala 2 do Hard Club, acompanhados por Dawn, o antigo teclista, e V-Kaos, nas vozes femininas. Foi com “Torn Apart” que deram início ao espetáculo, seguindo-se “Funeral Doomentia”, na qual o vocalista Tear tentou interagir com o público pela primeira vez, mas sem grande resultado. Apesar da competência com que a banda interpretava o seu Doom/Death Metal, ao início chegou a pairar a ideia de que não estava a conseguir fazer passar a sua mensagem, tal era a aparente indiferença dos presentes. No entanto, essa sensação foi-se dissipando aos poucos, dando lugar ao ambiente especial que uma ocasião como esta merecia. Para isso, contribuíram algumas canções do emblemático “Infinity…” e do negro “Locus Horrendus”. Temas como “Leaving this Land of Eternal Desires” e “Forever Dreaming… (Shadow Dance)” arrancaram fortes aplausos e pareceram finalmente despertar a plateia. Após um breve encore, os Desire dedicaram a clássica “The Purest Dreamer” a todos aqueles que os apoiaram ao longo dos seus 20 anos de atividade. No fim, no meio de efusivos aplausos, Tear e companhia começaram a despedir-se, mas o público queria mais. Foi, então, interpretada a relíquia “Death Blessed by a God”, canção da época em que a banda ainda se chamava Incarnated, encerrando da melhor maneira um concerto memorável e envolto de uma mística muito especial.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Entrevista: Sinister

Os Sinister são uma das principais referências quando se fala de Death Metal proveniente da Holanda. Com uma carreira que já atingiu a marca das duas décadas, eles estão de volta com um novo álbum e uma formação renovada. Foi precisamente sobre isso que conversámos com o vocalista e líder do grupo, Aad Kloosterwaard.
Em Maio de 2011, ficaste numa posição difícil quando o Alex e o Edwin abandonaram os Sinister. No entanto, poucos dias do seu abandono, anunciaste que os teus colegas de banda nos Absurd Universe seriam os substitutos. Por que razão os escolheste e como é que eles reagiram ao teu convite?
Sim, não foi fácil, mas não era razão para acabar com os Sinister. Nem pensar! Contactei os meus colegas de banda nos Absurd Universe e falei-lhes sobre a hipótese de fazerem parte dos Sinister e eles disseram logo que sim. Por isso, foi muito bom... Uma formação nova num dia.

Agora que os Sinister e os Absurd Universe partilham a mesma formação, em que situação ficam os Absurd Universe?
Eu não tenho tempo para os Absurd Universe. Os Sinister, as nossas famílias e trabalhos já nos consomem todo o tempo que temos.
 
As mudanças de formação trazem novas ideias e motivação extra, mas, por outro lado, também afetam a estabilidade e a identidade musical de uma banda. Tendo em conta a tua carreira com os Sinister, como analisas a recente mudança de formação?
Já estou tão farto de falar sempre das mudanças de formação... Não posso fazer nada em relação a isso, as coisas são como são. A última formação não era boa para mim, estava a tocar com pessoas que não estavam lá muito interessadas em música e, muito menos, em Death Metal. Elas saíram por falta de motivação e, olhando para trás, fico contente que assim tenha sido, porque agora tenho uma formação cujos membros estão realmente interessados em Metal. Além disso, também sabem o que é tocar numa banda como Sinister. 


"The Carnage Ending" é um título curioso. Já vi alguns fãs preocupados com a possibilidade de este ser o vosso último álbum. No entanto, quando leio as tuas entrevistas, passas a ideia de que acabar com a banda não é algo que te passe sequer pela cabeça. Podes explicar, então, o significado deste título?
(Risos) Sim, eu sei disso e não sei o porquê de os fãs pensarem isso. "The Carnage Ending" é um título que soa bem e foi essa a única a razão para o escolhermos. Também já temos o título para o próximo álbum, que vai ser um trabalho conceptual. Já escrevemos seis letras para ele!

Este álbum foi gravado nos Soundlodge Studios com o Jörg Uken, tal como o "Legacy of Ashes". Presumo que estejas muito contente com os resultados obtidos e que gostes de trabalhar com o Jörg. 
Claro! Estou mesmo muito contente com os resultados. Trabalhar com o Jörg é sempre bom para os Sinister, porque ele dá-nos sempre o som que gostamos de ter. Os dois últimos álbuns também foram gravados nos Soundlodge Studios, por isso não precisámos de pensar muito na hora de voltar lá.

Gravaram cinco versões para a edição especial. Como surgiu esta ideia e como escolheram as versões que iam fazer?
Foi ideia minha. Já a tinha em mente há mais tempo, mas não foi possível concretizá-la com os membros da formação anterior, porque para eles isso dava demasiado trabalho. Agora com esta formação foi a altura certa para colocar esta ideia em prática e penso que funcionou incrivelmente bem. Ficou claro desde o primeiro momento que teriam de ser canções do nosso passado e, por isso, escolhemos cinco que toda a gente conhece. Só a dos Bloodfeast é que talvez não seja tão famosa.

De todas as versões, tens alguma favorita?
É difícil dizer, porque gosto de todas as bandas. Contudo escolho a “Spit on Your Grave”, dos Whiplash. Gosto muito dessa.


Até ao momento, o que te têm dito os fãs sobre o “The Carnage Ending”?
Temos tido respostas incríveis e estamos mesmo muito felizes por isso. Matámo-nos a trabalhar neste álbum para que soasse o melhor possível.

Como único membro sobrevivente da formação original, quais foram para ti os melhores e piores momentos durante estas duas décadas nos Sinister?
Há demasiado para dizer em relação a isso! Todas as bandas têm os seus altos e baixos, mas posso dizer que estou muito orgulhoso desta grande banda.

Quando formaste os Sinister, eras o baterista e agora és o vocalista. Como comparas esses dois papéis na banda e que vantagens e desvantagens trazem?
Estou feliz por agora ser o vocalista, porque graças a isso recuperei o prazer em fazer música. Depois de tantos anos como baterista, já não sentia esse prazer. Uma coisa boa agora é que já apareço nas fotografias dos concertos (risos).

Entrevista feita em colaboração com a Infektion Magazine.