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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Entrevista: Curse this Ocean

Naturais de Cagliari, Itália, e no ativo desde 2009, os Curse this Ocean praticam Post-Metal/Hardcore e lançam a 15 de Dezembro o seu álbum de estreia, "Lightbringer". Com o intuito de dar uma ajudinha na promoção do mesmo, aqui fica uma breve conversa com o guitarrista da banda, Nicola.


Nem todos os membros da banda vivem em Cagliari, mas isso não deverá ser um grande problema no processo de composição, graças à tecnologia a que temos acesso hoje em dia. No entanto, como funciona quando têm que estar juntos para ensaiar e como marcam os vossos concertos?
Eu sou um dos que vive na Sardenha, por isso sempre que os nossos membros “estrangeiros” apanham o voo para aqui, vamos logo para a sala de ensaios e tocamos até os nossos corpos começarem a apodrecer. Não é uma forma habitual de gerir uma banda, mas tem os seus prós e contras. Quando eu e o Marco (baterista) nos juntámos à banda, sabíamos que ia ser assim e lidamos bem com isso. A marcação dos concertos é feita principalmente a partir dos e-mails que enviamos a salas de espetáculos, agências e a outras bandas. 

As encomendas do "Lightbringer" já começaram. Como estão a correr para já?
Estão a correr bem, especialmente desde que terminaram os dois dias de audição integral do álbum. Queríamos que as pessoas o ouvissem antes de pensarem em comprar o vinil ou o formato digital.


O álbum só vai ser lançado numa edição limitada em vinil. Por que razão não optaram por um formato mais acessível como o CD? 
De qualquer maneira, a maioria das pessoas que vai obter este trabalho vai ao Google pesquisar "curse this ocean - lightbringer mp3". A edição em vinil tem uma qualidade de som formidável, mas só será comprada para coleção, penso eu.

O álbum foi masterizado pelo Magnus Lindberg, dos Cult of Luna. Como surgiu esta oportunidade e como correu a experiência? 
A banda já tinha trabalhado com o Magnus no primeiro EP, "Cursed". Por isso, sabíamos que tínhamos de seguir o mesmo caminho. Foi fácil obter um som negro e profundo como desejávamos. O Magnus sabe realmente como lapidar uma pedra e transformá-la num diamante.

Gravaram um videoclipe para a "Among the Wolves", que, curiosamente, é a faixa mais curta do disco. Por que razão a escolheram? Queriam que funcionasse como uma espécie de amostra para o que aí vem? 
Em Julho, tocámos em Cagliari e tivemos a oportunidade de gravar a atuação inteira com câmaras diferentes. Por isso, quando obtive a gravação, trabalhei a imagem para lançar este vídeo sem qualquer despesa. A canção adapta-se ao que queríamos lançar, não é propriamente uma amostra, mas está algures no meio. Esperamos ter a oportunidade de gravar um vídeo mais longo no futuro.



Já começaram a marcar os próximos concertos? Como está a agenda, para já? 
Vamos tocar na nossa cidade antes de embarcarmos numa digressão europeia com os Comity (http://comity.bandcamp.com/) em Fevereiro. 

E é só. Obrigado pelo teu tempo e desejo-vos tudo de bom. Há algo mais que queiras dizer? 
Obrigado por teres dedicado o teu tempo a esta entrevista. Visitem o nosso sítio (www.facebook.com/cursethisocean) para mais atualizações.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Entrevista: Disaffected

Novamente reunidos desde 2006, os Disaffected lançaram em Maio deste ano o seu segundo trabalho de estúdio, "Rebirth". O baixista António Gião falou com o THMS sobre o novo álbum e as experiências vividas pela banda desde o seu renascimento.
Comecemos por uma questão que já devem estar fartos de responder. Como se deu esta reunião dos Disaffected?
Nunca é demais lembrarmo-nos de como tudo recomeçou! Após ter começado a recuperar do seu acidente de mota que o deixou em coma e às portas da morte, o Sérgio (guitarrista) contactou os restantes membros da formação do “Vast” para sondar as suas disponibilidades para recuperar os Disaffected. Nem todos estando dispostos a voltar com a banda, foi necessário procurar novos elementos e lentamente começar a tocar os temas do disco. Concluído esse processo, e após uma série de concertos muito bem-sucedidos, começámos a pensar em gravar os temas que entretanto também tínhamos começado a compor. Daí rapidamente passámos à ideia de gravar um álbum. E assim foi nascendo o “Rebirth”.

Foi difícil recuperar a química perdida ao longo destes anos de separação? Sentem que têm hoje uma relação diferente da que tinham nos anos 90?
O início foi complicado. Havia elementos novos na banda e os que transitaram desde os tempos do “Vast” há mais de 10 anos que não tocavam juntos. Foi necessário recuperar a tal química e ter paciência para que com o tempo tudo estivesse devidamente oleado. No final acabámos por conseguir uma relação mais madura, mais confiante e mais sólida do que a que existia nos anos 90. Levou o seu tempo, mas valeu a pena!

O "Vast" é visto como um trabalho marcante no underground nacional. Sentiram pressão na hora de compor o seu sucessor?
Obrigado! Sabemos que o “Vast” tem de facto um lugar bastante especial na “cena” nacional. Assim sendo, é natural que sentíssemos bastante pressão na hora de projectar o seu sucessor. Estávamos cientes de que os fãs do “Vast” e a crítica em geral iriam ser muito exigentes para com o nosso novo trabalho. No entanto, mais que quaisquer outras pessoas, nós próprios sentimos a obrigação de não defraudar o nome, a imagem e a recordação que “Disaffected” tinha em nós. Se era para voltar, era para voltar com um trabalho nunca inferior ao “Vast”. Ou era igualmente bom, ou superior, ou então não valia a pena estarmos a voltar passados tantos anos.

Ouvindo os vossos dois álbuns, nota-se perfeitamente uma ligação entre ambos. Contudo, existem algumas diferenças. As canções do “Rebirth” são, por exemplo, consideravelmente mais longas que as do “Vast”. Que outras diferenças encontram entre eles?
É verdade. Existe uma continuidade de um álbum para o outro, nomeadamente em termos das estruturas, sonoridades e complexidades das músicas, mas também alguma evolução e novidade de um para o outro. Os temas do “Rebirth” aproveitam o estilo progressivo que tínhamos criado no “Vast”, mas elevam-no a outros patamares – daí as músicas serem substancialmente mais longas. A opção mais fácil teria sido simplesmente emular o “Vast”, mas assim continuaríamos presos ao passado. Quisemos acrescentar mais qualquer coisa com mais apontamentos de percussão tribais, mais variedade de vozes (nomeadamente femininas) e mais linhas de guitarra e de baixo ainda mais complexas. Há muito mais variedade no “Rebirth”, o que também acaba por torná-lo um trabalho ainda mais difícil de entender que o “Vast”. Se o “Vast” já levava algum tempo a revelar-se ao ouvinte, o “Rebirth” requer uma dose de paciência ainda maior. Ao final, porém, a sua experiência é ainda mais rica.


Qual é o conteúdo lírico do “Rebirth”?
As letras do “Rebirth” fazem um relato metafórico do longo caminho que os Disaffected tiveram de percorrer desde a sua ruptura em meados da década de 90 até aos dias de hoje. O álbum é conceptual e está dividido em duas partes distintas. Começa no fim da era “Vast”, vai explorando as dificuldades ultrapassadas e acaba por desembocar na sensação de realização de termos chegado onde mais queríamos estar ao início da longa caminhada. É um pouco como a estrada da vida de qualquer um de nós. Altos e baixos, dificuldades e alegrias. Assim, embora esteja obviamente ligado ao renascimento da banda, é apropriável por qualquer pessoa que tenha renascido perante as suas maiores dificuldades.

Os Disaffected surgem agora ligados à Massacre Records. Como surgiu esta ligação e por quantos discos vai durar?
Quando concluímos o “Rebirth” enviámos uma cópia a 4 ou 5 editoras estrangeiras que pensámos que melhores condições nos poderiam oferecer. As respostas foram quase imediatas e, de todas, a da Massacre Records foi a mais vantajosa e que mais ia ao encontro das nossas expectativas. O contrato que assinámos foi apenas para o lançamento de um CD, com a opção de prorrogação por outros. Por enquanto estamos muitíssimo satisfeitos com o trabalho de promoção e de divulgação da Massacre Records. Temos conseguido chegar a ouvintes em países que só com o “músculo alemão” foi possível atingir. Vamos aguardar para ver como tudo continua a correr e depois pensar no futuro.

Já se passaram uns meses desde o lançamento do “Rebirth”. Que balanço fazem do feedback recebido e das experiências que têm vivido desde que se voltaram a reunir?
É verdade. O “Rebirth” já saiu em finais de Maio, pelo que já tivemos oportunidade de ver muitas reviews ao nosso trabalho. Felizmente, a esmagadora maioria dessas críticas têm sido muito positivas. Há sempre uma ou outra opinião menos favorável ou com menos paciência para o nosso género musical, mas de uma forma geral o “Rebirth” tem-se destacado quase sempre com notas acima de 80% - inclusivamente com alguns 100%! No entanto, mais importante ainda, temos recebido muitas mensagens de apreço por parte dos “ouvintes anónimos”, ora saudando o regresso por conhecerem o “Vast”, ora por o quererem conhecer após terem tomado contacto com Disaffected através do “Rebirth”.

Como banda, que diferenças encontram entre o underground nacional dos anos 90 e o actual?
O underground nacional está completamente diferente de há 20 anos para cá. Por um lado, há muito mais bandas portuguesas, com muito mais qualidade, do que nos anos 90. Os meios de divulgação actualmente são também muitíssimo melhores. Hoje todos temos acesso ao Youtube, ao Myspace, ao Facebook, etc. o que é espectacular em termos de projecção. Tudo factores que tornam o nosso underground mais interessante que há 20 anos atrás. Por outro lado, parece haver cada vez menos espírito familiar ou irmandade entre o pessoal da “cena”. Perdeu-se um pouco o fascínio e o orgulho com o ser/pertencer a essa mesma “cena”. Há duas décadas atrás um qualquer concerto de 3 ou 4 bandas portuguesas era q.b. para encher um pavilhão com 500 ou 600 pessoas, actualmente se essas mesmas bandas tiverem 50 ou 60 pessoas podem dar-se por satisfeitas. É certo que a crise também não está a ajudar, mas o cerne da questão até talvez nem sempre seja exclusivamente económica, mas antes de perda de algum “espírito de corpo“ – o que fazia do underground dos anos 90 mais fascinante.


Qual foi a sensação de abrir o Vagos Open Air 2012?
Espectacular! Verdadeiramente espectacular. Embora já tenhamos tido a oportunidade de tocar noutros grandes eventos como o Caos Emergente e como banda de abertura de bandas estrangeiras, a recordação deste VOA terá sempre um lugar muito especial. Embora tenhamos a noção que a qualidade da mistura do nosso som não tenha sido brilhante, ficámos muitíssimo satisfeitos com a nossa actuação. Felizmente, à excepção de uma ou outra voz (quase sempre) dissonante, a grande maioria dos comentários que tivemos foram também muito positivos.

O que andam a planear para os próximos tempos? Algum concerto agendado?
Neste momento, estamos a começar a compor. O “Rebirth” levou-nos imensos meses a compor, pelo que temos que começar o quanto antes a trabalhar no seu sucessor. Entretanto, ainda temos uns quantos concertos planeados e outros ainda em fase de negociação. Há também a possibilidade de tocar umas quantas datas no estrangeiro, mas tudo ainda por confirmar.

Há alguma coisa que queiram acrescentar antes de terminarmos?
Sim, obrigado. Queremos agradecer esta entrevista e a oportunidade de figurar no The Hanged Man´s Swansong. É uma honra. Fazemos votos que o excelente trabalho que este espaço vem proporcionando aos fãs do género se possa manter por muitos e longos anos. Até breve!

domingo, 2 de setembro de 2012

Entrevista: Process of Guilt

Desde a sua formação, em 2002, os Process of Guilt têm vindo a dar passos firmes em direcção à conquista do underground nacional e internacional com os seus discos. Com "Fæmin", o terceiro álbum dos eborenses, a servir de assunto principal, o THMS conversou com o guitarrista e vocalista Hugo Santos.


Quando começaram a compor para o novo álbum, já tinham uma ideia de como queriam que soasse ou surgiu tudo naturalmente?
Pela primeira vez no nosso percurso abordámos a composição de um novo álbum totalmente a partir do zero. Apenas tínhamos a certeza daquilo que não queríamos repetir e a vontade de seguir uma abordagem mais orgânica que ressalvasse a crueza que também ambicionávamos para este registo. O "FÆMIN" acabou, assim, por resultar de um período extenso em que houve muita experimentação e muita repetição de riffs e melodias até atingirmos aquilo que para nós constituía o “cerne” de cada tema. No fundo foi um processo em que conscientemente procurámos atingir uma maior noção de identidade e daquilo que nos define enquanto banda, músicos e fãs de música.

Como correu a gravação do "Fæmin"? Atingiram o som que pretendiam para este trabalho? 
A gravação do "FÆMIN" foi planeada de modo a atingirmos o som que, efectivamente, pretendíamos para este registo. E, agora, quase um ano depois do início da mesma, ainda continuamos plenamente satisfeitos com a forma como o disco continua a soar de cada vez que o ouvimos. A escolha relativa aos estúdios onde foram efectuadas a captação, mistura e masterização teve por base a busca de um som quase “live”, uma vez que pretendíamos que todos os instrumentos “respirassem” de forma natural de modo a favorecer o riff e o groove que ambicionámos para cada tema. E, neste ponto, a escolha do Andrew Schneider para a mistura foi decisiva. Já conhecíamos o seu trabalho através dos últimos registos de bandas como Unsane ou Rosetta e achámos que o mesmo só nos poderia beneficiar na obtenção do “punch” que desejávamos para o som final. Juntamente com a masterização, novamente, a cargo do Collin Jordan, julgo que finalmente atingimos uma equação acertada para o nosso som em estúdio.

Que novidades e diferenças pensam que este álbum traz em relação aos seus antecessores? 
É um álbum mais conciso, mais cru, mais directo, com uma variedade rítmica muito mais em sintonia com aquilo que apreciamos na música e que nos revela de forma muito mais profunda. Estes são as maiores clivagens que encontro relativamente aos trabalhos antecessores, especialmente o "Erosion" que acaba por ser o registo com o qual ainda encontramos algumas, poucas, semelhanças. O "FÆMIN" representa para nós, decisivamente um álbum de mudança e de afirmação relativamente aquilo que pretendemos através da música.


Pensam que a estabilidade da formação dos Process of Guilt é importante para a evolução da banda?
Sem dúvida, depois de todos estes anos desenvolvemos uma relação que mantemos e que funciona para todos, onde sabemos bem quais são os nossos limites e até onde ambicionamos ir. Partilhamos das mesmas ilusões e desilusões relativamente à música e, no entretanto, continuamos a desfrutar com a nossa música e com a forma como a fazemos. Continuar a fazer música enquanto Process of Guilt é um projecto e um objectivo pessoal de cada um dos membros e enquanto assim for, apenas antevejo o mesmo cenário de estabilidade.

Já se passaram uns meses desde o lançamento do "Fæmin". Como analisam o feedback recebido?
Já se passaram, de facto, alguns meses desde o lançamento do "FÆMIN". No entanto, ainda continuamos a receber de forma bastante regular esse mesmo feedback que, até agora tem sido, de longe, superior ao recebido para qualquer outro registo que tenhamos lançado no passado e na sua maioria extremamente positivo, tanto através das reacções dos media como de quem nos contacta de forma espontânea.

Desde o "Renounce" que os Process of Guilt têm vindo a conquistar a atenção do underground nacional e internacional. Por que motivo optaram por uma primeira prensagem de "Fæmin" limitada a apenas 500 cópias? Há planos para uma reedição no futuro?
A opção por apenas 500 cópias relaciona-se com alguns factores, variados, mas todos eles interligados. Em primeiro lugar, quisemos investir numa edição física que premeie quem a adquirir de forma a ter algo exclusivo (e numerado), tornando assim esse item em algo único. Noutro plano, completamente diferente, que se relaciona com toda a evolução dos formatos digitais e com o progressivo abandono do formato físico, temos a perfeita noção do número de CDs que vendemos no imediato e da capacidade de distribuição que temos dos nossos discos junto de outros países. A associação entre a Bleak Recordings e a Division Records aparece, assim, como uma forma de potenciarmos uma distribuição nacional e estrangeira do melhor modo, sendo que por agora, na parte que mais directamente nos diz respeito através da Bleak temos o disco praticamente esgotado, sendo que uma segunda edição, eventualmente até noutro formato, é algo que enquadramos para um futuro próximo.


E que tal a "Fæmin Tour"? Ficou de acordo com as vossas expectativas? Foi bom tocar os novos temas ao vivo?
Tocar os novos temas ao vivo é o corolário de toda a experiência relativa à criação e gravação do "FÆMIN". É ao vivo que os temas melhor se revelam e é nesse ambiente que nos podemos entregar totalmente à sua interpretação. Depois do período que passámos a ensaiar e a pensar em como será um determinado tema, é, de facto, ao vivo que temos a hipótese de fecharmos o ciclo. Neste contexto, é claro que para nós foi bastante positivo tocar estes novos temas ao vivo. Aliás, o "FÆMIN" representa a quase totalidade de um concerto actual de Process of Guilt. Há toda uma ambiência e particularidade que reconhecemos a estes temas que levam a que, para nós, actualmente, apenas deste modo nos faça sentido pensarmos o nosso espectáculo ao vivo. Relativamente às datas que fizemos de apresentação podemos dizer que correram, de um modo geral, bastante bem, tanto no que se refere ao que sentimos relativamente à nossa prestação como no que respeita ao feedback do público.

Quais são os planos dos Process of Guilt para o futuro? Há planos para algumas datas no estrangeiro?
De momento estamos a preparar a algumas datas pela Europa para o final de Outubro. Ambicionávamos fazer algo de forma mais extensa, mas, efectivamente, a geografia particular do nosso país continua a ser um obstáculo muitas vezes difícil de ultrapassar, ainda para mais atendendo à crise que atinge toda a Europa. Em breve esperamos anunciar de forma oficial as datas até agora confirmadas.

Chegámos ao fim. Há alguma coisa que queiras acrescentar?
Obrigado pela entrevista. Se alguém se identificar com algo do que acima foi escrito passem pela nosso site (processofguilt.com) onde podem encontrar vários links paras as nossas páginas e especialmente para a nossa página do bandcamp onde podem ouvir a totalidade do nosso álbum em streaming.

sábado, 11 de agosto de 2012

Entrevista: Master

Figura marcante no desenvolvimento do Metal extremo desde os anos 80, Paul Speckmann é um exemplo de preserverança no underground metálico, contando com um vasto currículo musical. Aproveitando o lançamento do novo "The New Elite", a futura passagem por Portugal e a recente reunião dos Death Strike para um concerto único, o THMS entrevistou o líder dos Master, que respondeu às questões sem papas na língua.


O "The New Elite" é o teu 11º álbum com os Master. É difícil encontrar inspiração após estes anos todos? Quais são as tuas principais fontes de inspiração? 
O mundo à minha volta é que dita os temas para as canções. As composições, em si, surgem naturalmente todos os anos. Simplesmente pego na guitarra acústica de tempos em tempos quando sinto vontade e, às vezes, sou inspirado por um novo riff que me vem à cabeça e que pode, ou não, tornar-se numa nova canção. É desta forma que tenho composto nos últimos 20 anos. Umas vezes encontras grandes canções no gravador de cassetes e noutras nem por isso. Vivemos num mundo louco e confuso e toda a violência e agressividade que vemos nas nossas vidas ajudam-me e inspiram-me a escrever estas canções para os Master.

Como correu o processo de composição e gravação para o novo álbum? Foste tu que escreveste as canções todas ou os teus colegas de banda também contribuíram com as suas ideias e material? 
O guitarrista Aleš Nejezchleba traz sempre três canções quando começamos a trabalhar num álbum novo. Normalmente, trabalhamos primeiro em cerca de oito das minhas e depois pegamos nas dele no fim. O baterista Zdenek Pradlovsky também contribui sempre com as suas ideias para a bateria, descobrindo muitas vezes uma boa forma de iniciar a canção. Por isso, sim, os meus colegas também estão envolvidos no processo de composição e tudo isto torna o nosso trabalho melhor.


Como analisas o "The New Elite"? Vê-lo como uma evolução em relação aos lançamentos anteriores ou pensas que traz novos elementos à musica dos Master? 
Todos os álbuns são uma evolução em relação aos anteriores, claro. É assim que deve ser, uma banda cresce junta e ao longo dos anos evolui, obviamente. Pessoalmente, gosto de todos os álbuns de Master. A diferença é que alguns tiveram ou melhores orçamentos ou melhores executantes ou mais ou menos tempo para serem gravados, mas, de qualquer forma, estou orgulhoso com tudo o que fizemos. Os Master mantêm-se fieis às suas raízes e firmes em todos os álbuns.  Os novos elementos surgem nas canções naturalmente. Ouve o primeiro álbum de Master e depois o “The New Elite” e vais ouvir uma progressão de certeza, é como do dia para a noite! 

Os Master vão tocar em Portugal em Janeiro de 2013 no Mangualde Hard Metal Fest. Quais são as tuas expectativas para este concerto? Portugal traz-te boas memórias? 
Espero, sinceramente, que as pessoas apareçam no festival. Da última vez que tocámos num festival no Porto com 30 bandas, a cena e o público revelaram-se bastante pequenos. Só estavam umas 75 pessoas lá. O festival foi muito divertido, a organização muito profissional e a comida de arrasar. Ficámos numa vinha e divertimo-nos muito, para dizer o mínimo. Por isso, espero que desta vez as pessoas apareçam e que possamos dar outro grande concerto.

 

Os Death Strike foram confirmados como cabeças-de-cartaz para o festival Death Doomed the Age, na Alemanha. O que te fez ressuscitar a banda para este evento? 
Uma oportunidade de dar o primeiro e único concerto com a banda e receber também uma boa quantia de dinheiro. O que mais poderia ser? Começámos a ensaiar para este concerto há cerca de um mês e é uma sensação muito boa tocar canções antigas de Master e Death Strike de novo, por isso sem dúvida que vou divertir-me com o concerto daqui a umas semanas.

Quem é que vai tocar bateria e guitarra nesta ocasião especial? 
Os Master, quem mais haveria de ser?
 

Estás a viver na Republica Checa já há alguns anos. Porque é que te mudaste para a Europa? 
Mudei-me para a Europa quando surgiu o convite para ingressar nos checos Krabathor, em 1999, e nunca olhei para trás. A cena na Europa provou-me o seu valor, já que os Master dão pelo menos um mínimo de 80 concertos aqui na Europa, mais outros 30 fora todos os anos. Por isso, sem dúvida que tomei a decisão certa ao vir para o centro do Metal no mundo.


Gostas de viver na República Checa? Há muitas diferenças entre o estilo de vida checo e o norte-americano? 
Claro, a República Checa possui uma coisa chamada liberdade. E isso aplica-se a grande parte da Europa nos dias de hoje, mas o Grande Irmão está a chegar cá também e a liberdade será perdida não tarda muito. Vivemos num mundo controlado pelo governo e ele gosta de ditar o que a sociedade pode e não pode fazer. Gosta de dizer-te quando e o que comer, quando cagar, o que vestir e quando deves sentar-te e ver televisão!
 

E chegámos ao fim! Há algo mais que queiras dizer antes de terminarmos? 
Claro, o “The New Elite” está disponível para todos os sacanas forretas que estão a sacá-lo de graça nos meus sites. A pirataria mata os Master e as restantes bandas do underground. Por isso, apoiem o underground, arranjem um emprego e comprem alguma coisa do site!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Entrevista: Israthoum

Actualmente a residir na Holanda, os portugueses Israthoum têm vindo a evoluir nos últimos anos. Com «Monument Of Brimstone», o seu segundo disco, o colectivo conseguiu obter críticas bastante favoráveis e assinou com a respeitável editora finlandesa Spinefarm Records. Aproveitando este bom momento, o THMS pôs-se à conversa com Arvath, baterista da banda.


Antes de mais, muito obrigado por teres aceitado o meu convite. Para começar, introduz os Israthoum aos nossos leitores.
Neste momento, o line-up de Israthoum consiste em Voxinferi (voz/baixo), Kald (guitarra), Arvath (bateria) e Agramon (teclas). Basicamente, este line-up é o utilizado para concertos ao vivo, dado que nas composições e gravações fazemos todos um pouco de tudo.

Os Israthoum formaram-se em 1992, no entanto, «Monument Of Brimstone» é ainda o vosso segundo disco. Existe alguma razão especial para este facto ou as coisas simplesmente aconteceram assim?
É verdade, se bem que acabámos por considerar o «Black Scenery Avatar» mais um MCD que um álbum propriamente dito. Mas apesar de só termos 2 álbuns editados, já temos material diverso gravado desde '92/'93 (demos, etc.). A verdade é que nunca fizemos grande esforço para lançar o nosso som para fora (nem tínhamos grandes condições para tal). Portanto deixámos as coisas simplesmente desenvolverem-se por si, sem pressão e sem forçar. Creio que desde sempre tivemos a postura de que, a partir do momento em que o nosso material fosse suficientemente bom, ele vender-se-ia a si próprio. Também acho que, ao contrário de muitas bandas, temos demasiada integridade para andar por aí a dar graxa (ou pagar dinheiro!) para arranjar uns concertozitos ou bombardear pessoas e editoras com flyers e demais propaganda de desespero para captar a atenção para a banda. Mas não faltam bandas que o façam, é absurdo.

Como é que surgiu o contrato com a Spinefarm Records?
O nosso amigo e colaborador Kvohst achou sensato apresentar ao Sami da Spinefarm Records. Esse, por sua vez, curtiu o nosso álbum e a partir daí surgiu o contrato com a editora.

Falemos agora sobre «Monument Of Brimstone». Embora tenha sido originalmente editado em Outubro de 2008, continuam satisfeitos com o resultado final?
Por volta dessa data fizemos só umas 50 cópias provisórias do álbum (com lay-out exclusivo) pela minha própria editora S.A.R.S. Productions e o lançamento oficial pela Spikefarm surgiu poucos meses depois. Apesar de o álbum conter material composto entre 2001 e 2008, continuamos bastante satisfeitos. Os elementos básicos que nele constam, a frieza e a obscuridade, continuam a ser representativos para a nossa arte. As faixas como estão gravadas e com o som que têm, representam um marco na história da banda, e pelo tal é sagrado. Não há cá arrependimentos...


Para ti, quais são as principais diferenças entre este novo trabalho e «Black Scenery Avatar»?
Há um mundo de diferença, isso será fácil de notar. A seguir ao «Black Scenery Avatar» ficámos muito mais selectivos quanto aos riffs e às atmosferas criadas. Ligado a isso, aperfeiçoámos também imenso o papel do sintetizador nas composições, tendo este ficado completamente no plano de fundo. Os vocais também foram muito mais ponderados no último CD e os detalhes tidos em conta, o que no MCD infelizmente ainda deixava muito a desejar. Posso dizer que nos levou algum tempo até conseguirmos exprimir bem o que fermentava aqui dentro, mas que o «Monument of Brimstone» foi sem dúvida o passo certeiro na direcção certa. Por fim acho que acabámos por conseguir definir bem a atmosfera que melhor ilustra as nossas letras. Como um bom vinho, levou o seu tempo a apurar.

Quais são os vossos planos para o futuro? Já começaram a compor para o próximo disco?
O próximo álbum já está totalmente composto. Estamos neste momento prestes a entrar em estúdio para gravar esta farpa. Se tudo correr como planeado, iremos gravar dentro de 2 ou 3 meses em Oslo, no estúdio do Vicotnik. Fora isso, vamos dando uns concertos conforme nos são oferecidos. O próximo vai ser em Helsinki / Finlândia no final de Junho com Azaghal e mais não sei quem. E por falar nisso, não nos arranjam uns concertos pelas ricas terras Lusas pá?

Apesar de viveres na Holanda, ainda mantens contacto com Portugal e com a música que se vai fazendo por cá?
Claro! Temos família e bons amigos em Portugal e é lá que estão as nossas origens, portanto vamos a Portugal sempre que podemos. Para além disso também fazemos por ficar a par do progresso a nível do movimento Black Metal em Portugal. Para além das famosas hordas já por todos conhecidas, temos reparado noutros projectos mais em segundo plano que só nos podem deixar com a conclusão de que Portugal se está a proliferar muito bem a nível de Black Metal. É claro que está na moda dizer que a cena Black Metal está morta e que tudo o que é tudo uma cambada de palhaços, mas não vejo razão para andar por aí a gritar esses clichés no que diz respeito a Portugal, a Holanda, ou mesmo para o resto do mundo. Acho que em linhas gerais, o Black Metal está a atingir um nível de qualidade nunca antes visto nestas quantidades. Palhaços e frutos podres hão-de existir sempre, mas esses são fáceis de identificar e devem apenas ser ignorados.

Por fim, há alguma mensagem que queiras deixar aos nossos leitores?
Obrigado pela entrevista Eduardo! Quem estiver interessado ainda poderá adquirir o Monument of Brimstone directamente pela banda (israthoum@hotmail.com), tanto em LP como em CD, mas aconselho que se despachem porque já só temos mesmo poucas cópias! Além disso, agora também temos t-shirts exclusivas disponíveis (shirt preta com impressão cinzenta, lim. a 50 cópias). Estas só podem ser encomendadas por nós.