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domingo, 6 de janeiro de 2013

Entrevista: Desire

Considerados um dos grupos mais únicos saídos do panorama metálico nacional, os Desire regressaram aos palcos para duas datas especiais em celebração dos seus 20 anos de carreira. No fim do concerto do Porto, conversámos com Tear e Flame sobre o passado, presente e futuro da banda.

Depois de duas datas de celebração dos 20 anos de Desire, qual é o balanço que fazem deste retorno aos palcos?
Tear: Um balanço extremamente satisfatório, porque foram duas grandes noites. Duas noites únicas, tal como prevíamos e esperávamos. Penso que, da nossa parte, conseguimos proporcionar isso da melhor forma a todos os que compareceram nos concertos. Da nossa parte foi algo mesmo de muito, muito especial. Espero que também o tenha sido para quem esteve presente nestas duas datas, porque, para nós, foram os concertos mais especiais que demos em toda a nossa carreira. 20 anos de uma banda de metal em Portugal não é fácil… não é mesmo nada fácil, ainda para mais num estilo um tanto ou quanto mal tratado em Portugal.

Há uns meses atrás, entrevistei o John Paradiso, dos Evoken. Perguntei-lhe quando vinham a Portugal e ele respondeu que gostaria muito de regressar e, acima de tudo, voltar a ter a oportunidade de tocar com os Desire. O que sentem perante estas palavras?
Tear: Em 2003, quando tivemos a oportunidade de fazer uma digressão com os Evoken e os Officium Triste, eles (os Evoken) confidenciaram-nos que, desde que ouviram o “Infinity…”, o nosso primeiro trabalho, nos tornámos uma banda de referência para eles e uma forte inspiração no som que fazem. Obviamente que, na altura, isso nos deixou bastante satisfeitos e orgulhos. Foi extremamente gratificante saber que uma banda dos E.U.A., que vagueia pelos mesmos meandros musicais que os Desire, nos tinha como referência. Também ansiamos pelo dia em que eles regressem para voltarmos a estar juntos em palco. Não só com eles, mas também recordar os tempos com os Officium Triste. Toda essa digressão foi extremamente positiva e gratificante…
Flame: Houve um grande espírito de camaradagem e as recordações que temos são as melhores. Parece que os Evoken têm a mesma opinião e, por isso, seria muito bom partilhar um palco ou uma tournée com essas duas bandas.

Qual é o balanço que fazem destes 20 anos?
Tear: Tivemos alguns momentos complicados. Talvez tenham sido mais os momentos complicados do que os momentos bons. Foram 20 anos difíceis, muito atribulados, com várias entradas e saídas de membros, problemas pessoais à mistura… Felizmente, ao fim destes anos todos, conseguimos o mais importante, que foi manter a personalidade e a identidade da banda. Penso que isso se conseguiu muito graças ao facto de a espinha dorsal da banda se ter mantido junta ao longo deste tempo todo. Refiro-me a mim próprio, ao Flame e ao Mist, que somos os três elementos que permanecem desde o início. Todos os outros, infelizmente, foram saindo e foram entrando. Isso deveu-se a problemas pessoais, a incompatibilidades entre a vida pessoal e a vida da banda… Nos Desire, desde o início que sempre tivemos esta mentalidade e filosofia: as pessoas não integram a banda simplesmente pela sua capacidade técnica, mas essencialmente pelo seu espírito, feeling, entrega e pela forma como se identificam e reconhecem no som da banda. Como costumo dizer, Desire não é uma banda vulgar, não é uma banda feita de factos e detalhes triviais, mas sim uma banda especial. Pode não ser uma banda grande, mas é de certeza, e eu tenho essa convicção, que é uma grande banda.


Lembro-me de falar com o Hrödulf, dos Azagatel, e ele dizer que a mudança constante de membros é uma das piores coisas que pode acontecer a uma banda, porque torna as coisas muito complicadas ao teres que estar constantemente a lidar com pessoas diferentes. E a única forma de contornar esse problema era através de muita perseverança e um amor genuíno. Este parece ser um problema da cena nacional. Concordam?
Flame: Quando as pessoas abraçam um projeto, tem mesmo que ser de corpo e alma. Não pode ser abraçado como um passatempo ou como um hobbie. Todos nós passámos por uma idade onde era "cool" ter uma banda e, muitas vezes, essas mudanças de formação acabam por se refletir, porque as pessoas passado algum tempo começam a ver que não têm andamento para isto, que não é isto que realmente querem fazer das suas vidas e acabam por sobrepor outros interesses aos da banda. Isso resulta na constante troca de membros. É muito difícil encontrar pessoas que estejam todas vocacionadas para o mesmo estilo, principalmente no nosso caso, que temos um som muito específico. É fácil encontrar guitarristas e bateristas de Thrash Metal. É conforme as “ondas” do metal, em geral.

Consideram que estas alterações na formação contribuíram para que os Desire tenham lançado apenas quatro trabalhos em 20 anos de carreira?
Tear: Sem dúvida. Se recuarmos no tempo, obviamente que hoje em dia falta um ou outro elemento e, mesmo assim, consegues fazer as coisas. Até a própria gravação de um disco se tornou muito mais fácil com a chegada da era digital. Na altura, e estamos a falar desde 1992, quando ainda se trocavam cassetes e a Internet ainda não era utilizada de forma massiva, tudo era mais rudimentar, mais caseiro, mais arcaico. Tudo era mais…
Flame: Por um lado, mais genuíno e mais verdadeiro até.
Tear: Hoje em dia, talvez a ausência de um membro já seja não tão preponderante para que a banda não possa avançar com a gravação do disco. Quando falo nisto, também quero dizer que antigamente, quando faltava um membro, isso trazia não só consequências nível de formação, mas também a nível monetário. Todos nós fazíamos contas para fazer a gravação e faltar uma pessoa já era um arrombo enorme nas finanças de uma banda. Atualmente, isso já não tem um impacto tão grande e a verdade é que estes 20 anos nos deram um know-how, uma confiança e uma capacidade maiores para fazer coisas que não conseguimos anteriormente.

O vosso último trabalho foi editado em 2009. Sei que já começaram a trabalhar em material novo. Para quando um novo disco dos Desire?
Tear: Estamos a fazer todos os possíveis para que consigamos, no máximo, em Março do próximo ano começar a gravar o novo disco para que seja editado no Outono de 2013. Para nós, seria interessante conseguir fazê-lo mais cedo, mas não queremos estar a criar falsas expetativas, nem estar a defraudar as próprias expetativas das pessoas. Vamos participar no próximo ano, em Maio, no dia 11, num festival na Holanda. Vamos querer aproveitar a oportunidade para fazer outras datas, como fizemos em 2003. Seria bastante proveitoso para nós se já levássemos um novo disco na bagagem, mas estamos a ver que essa meta poderá ser algo complicada de atingir. Daí sermos um bocado realistas, sempre o fomos, e as pessoas perceberem essa parte do porquê de não editarmos trabalhos de forma mais regular. Sempre fomos pessoas muito responsáveis e ponderadas. Sempre pensámos nas coisas com o máximo de concentração e com a certeza absoluta que estávamos a fazer exatamente aquilo que queríamos fazer.
Flame: Tem que ser um digno sucessor, senão não vale a pena.
Tear: Levamos bastante tempo a compor, não porque tenhamos dificuldade em criar novas músicas, mas porque nem sempre nos conseguimos rever nessas músicas, nem exprimir na plenitude tudo o que queremos transmitir. Damos imensas voltas nas coisas para que elas fiquem exatamente como queremos.
Flame: Algo que resume o que o Tear está a dizer é que, acima de tudo, somos nós os nossos maiores críticos. Nem tudo aquilo que sai na sala de ensaios é visto como terminado Só avançamos quando estamos realmente satisfeitos. Relativamente ao próximo trabalho, neste momento temos cerca de 70% do material pronto. Os restantes 30% são aqueles pormenores que precisamos para ficar completamente satisfeitos.


Notou-se que deram muita atenção ao “Infinity…” nesta celebração. É um álbum muito especial não só por ser marcante para a cena portuguesa, mas também por ser visto como uma peça de coleção em todo o mundo. Como é para vocês ter um trabalho como este na vossa discografia?
Tear: Penso que o “Infinity…” acabou por conquistar aquilo que lhe era naturalmente devido, porque foi o primeiro disco de Doom Metal em Portugal. Fomos pioneiro e penso que foi uma viragem no Metal em Portugal. Daí que nos primeiros tempos não tenha sido muito bem aceite, mas também sabíamos que seria difícil digerir. Porém, tínhamos a convicção que, quando as pessoas percebessem exatamente o que os Desire queriam transmitir, se iria tornar numa referência para os ouvintes, assim como para muitas bandas que viessem a surgir depois. Foi um disco que nos marcou imenso, éramos muito jovens na altura. Estávamos cheios de energia e ideias. Não quisemos partilhar o disco com ninguém, ou seja, não quisemos envolver ninguém na sua composição e elaboração. Foi um trabalho bastante ambicioso e puro. Todos os trabalhos de Desire têm um significado muito especial, porque todos eles marcam uma fase das nossas vidas, dos nossos sentimentos e das nossas intenções. Hoje estamos a falar do “Infinity…” e, sinceramente, acredito que, com o passar dos anos, o “Pentacrow” e o “Locus Horrendus” também vão conquistar o seu lugar. Pessoalmente, penso que o “Locus Horrendus” é o disco que traduz de melhor forma a verdadeira essência e identidade dos Desire. É a pérola negra da banda, porque é o disco mais sinistro, mórbido, sentido, profundo e introspetivo de sempre. Está ligado a emoções muito fortes.

Há planos para uma reedição do “Infinity…”?
Tear: Há planos para uma reedição tanto do “Infinity…”, como do “Pentacrow” e do “Locus Horrendus”.

Falou-se inicialmente de uma box set…
Tear: Sim, a “The Trilogy of Melancholy”. Posso adiantar que isso ainda não foi feito por duas grandes razões. Uma, que é a mais importante de todas, por ainda estarmos a resolver pequenas questões com a Skyfall Records, a editora que lançou o “Infinity…” e o “Pentacrow”. A outra é o facto de querermos terminar, e isto é uma convicção e desejo pessoal, o conceito que iniciámos no “Infinity…”, que é, no fundo, transversal a todos os trabalhos dos Desire. Há três grandes trabalhos que marcam esse conceito, que são o “Infinity…”, o “Locus Horrendus” e a terceira parte que ainda está para sair, ou seja, o próximo álbum. Aí, sim, penso que será a altura ideal para lançar a “The Trilogy of Melancholy” com esses três discos, deixando os dois EPs de lado. E, como já devem ter reparado, há outra característica especial na banda que faço questão de manter. Todos os discos de Desire têm um subtítulo comprido e procuramos sempre fazer trocadilhos nos títulos dos EPs com aquilo que mais nos marca e simboliza, ou seja, a figura do corvo. Tanto o “Pentacrow” como o “Crowcifix” são muito focados na figura do corvo, porque são trabalhos mais exclusivos, mais focados nos fãs e não tanto no público em geral. Daí até termos editado o “Crowcifix” em vinil, porque, ao longo dos anos, fomos recebendo vários incentivos para que isso acontecesse. Isso para nós fez todo o sentido, porque pertencemos ao underground e nunca tínhamos editado um vinil. Teve que ser em ’12, porque não cabia noutro formato. (risos) Às vezes, as pessoas pensam que escrevemos temas longos de propósito, mas não é verdade. Isso acontece, porque…
Flame: Não conseguimos transmitir certos estados de espírito e ambiências em apenas cinco ou dez minutos.

Já que falam nisso, voltemos a falar sobre o concerto. É incrível como os Desire conseguem transformar um concerto de 1h45 em algo que parece tão curto. Para isso contribui a forma como vocês deixam as vossas músicas respirar.
Flame: Tocámos 1h45 e ainda nos disseram que soube a pouco.
Tear: Sim, é isso mesmo que estás a dizer e isso reflete-se na música.
Flame: E ainda bem que as pessoas reconhecem isso, que não se torna maçador pelas música serem grandes e por haver vários estados de espírito e ambiências…
Tear: Por acaso, esse foi um dos nossos grandes receios quando estávamos a preparar estes concertos. Ficámos com o receio de ser um alinhamento demasiado longo e maçador. Pensámos até em reduzi-lo quando estávamos na sala de ensaios. Daí termos feito o encore, para ver se  as pessoas tinham realmente vontade de ouvir mais. Confesso que, nestes dois concertos, saímos sempre do palco com a certeza de que as pessoas queriam que voltássemos. É óbvio que isso nos deixa extremamente satisfeitos e é algo muito gratificante. Estas são, sem dúvida, duas noites que ficarão nas nossas memórias e espero que também fiquem na memória de todos os que estiveram presentes nestes dois concertos. Foram especiais e únicos, tal como esperámos. Há imenso tempo que não tocávamos um alinhamento tão longo…
Flame: E em nome próprio.
Tear: É uma pena que não tenham comparecido mais pessoas, mas, mesmo assim, penso que o balanço é extremamente positivo. São conquistas que se fazem passo a passo.
Flame: Só fez falta quem cá esteve, como se costuma dizer. Quem queria estar, esteve num dos espetáculos e só perdeu quem não esteve.
Tear: Fiquei feliz pelo carinho que tivemos das pessoas no final dos concertos e por tudo o que nos transmitiram. Tudo isto, parecendo que não, vai-nos alimentando a alma e o ego. Não no sentido de acharmos que somos bons, mas para nos dar forças para continuar…
Flame: E nos fazer sentir que estes 20 anos têm valido a pena. Nunca imaginámos que ainda estaríamos no ativo passado tanto tempo, especialmente em Portugal. Já muitas pessoas nos disseram que o nosso azar foi os Desire terem nascido em Portugal e que, se tivesse sido noutro país, talvez tivéssemos mais reconhecimento. Nós reconhecemos isso, achamos que isso seja possível, mas temos dado sempre o nosso melhor.
Tear: Fica um amargo na boca por não termos feito mais e chegado mais além…
Flame: Ainda não é tarde.


Pelo menos, sentem-se realizados com o que fizeram até agora. Muitas bandas não o podem dizer.
Flame: Sem dúvida, principalmente por nunca termos feito nada forçado e que soasse falso. O que já saiu é algo que vem de dentro. Ouvimos constantemente pessoas a perguntarem o porquê de demorarmos tanto tempo a lançar um álbum, mas ele só sai quando achamos que deve sair. Com todas as dificuldades que tivemos, podíamos ter optado por encerrar atividades, mas sempre acreditámos com a mesma crença que tínhamos há 20 anos quando formámos a banda.
Tear: Só queria referir algo que penso não ser muito comum em Portugal, infelizmente. Nestes dois concertos fomos acarinhados e abraçados com a presença de várias pessoas que vieram de propósito do estrangeiro para estarem presentes nesta celebração dos 20 anos de Desire. Pessoal da Alemanha, Rússia, França, Inglaterra... Fazer isto com uma banda portuguesa que, no nosso caso não tem muita exposição ou promoção internacional, espelha o que os Desire conseguiram ao longo destes anos. Não só fazer parte da vida de muitas pessoas em Portugal, como também no estrangeiro. Recebemos constantemente incentivos e convites de muitas pessoas lá fora para que levemos a música dos Desire aos palcos espalhados pelo mundo. Infelizmente, como é do conhecimento geral, não é fácil concretizar essas coisas, mas sentimos que temos fãs espalhados por todo o mundo. Faltam-nos as infraestruturas e o apoio para podermos chegar mais além. Gostávamos de correr o mundo e proporcionar a essas pessoas a hipótese de assistirem a um concerto nosso, até porque foi por causa dos nossos fãs que não desistimos. Ainda temos muito para dar e para contar em termos de conceito lírico. Penso que é uma história interessante e faço votos para que, um dia, talvez quando a banda terminar, todo este trabalho seja aproveitado para um argumento de filme. A banda-sonora já está feita, só falta mesmo retratar tudo isto em imagem. Penso que resultaria em algo profundo e muito bonito, por isso fica a deixa.

Para terminar, tinham planeado gravar estes dois concertos e vi algumas câmaras na sala…
Tear: Houve pessoas que se ofereceram para fazer a captação de vídeo.
Flame: Mas nada oficial.
Tear: O objetivo era fazê-lo de forma profissional, com várias câmaras e ângulos, para depois podermos fazer uma mistura. Fazer também uma captação de som profissional, porque a intenção era lançar em 2013 um DVD alusivo a estes 20 anos. Não foi possível, mas esse sonho não fica enterrado. Hoje foram estes concertos e, se calhar, daqui a uns anos teremos melhores condições e talvez aí já seja possível tornar esta ideia uma realidade. É algo que se impõe a uma banda como Desire e as pessoas merecem isso. Seria bom poder estar em casa, num momento introspetivo, e sentir um concerto nosso.

Entrevista realizada em colaboração com o Tiago Moreira para a Infektion Magazine.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Entrevista: Grand Supreme Blood Court

Compostos por membros de Asphyx e Hail of Bullets, entre os quais se destaca o recém-regressado guitarrista Eric Daniels, os Grand Supreme Blood Court prometem dar que falar. Aproveitando o lançamento do álbum de estreia do grupo, conversámos com o vocalista Martin van Drunen.

Como começou este projeto e como culminou no lançamento do “Bow Down Before the Blood Court”?
Tudo começou quando o Eric veio ter comigo e com o Bob após alguns anos sem fazer Metal. Quando voltámos ao ativo com os Asphyx, ele estava indisponível para se juntar a nós, porque andava muito ocupado e tinha outras prioridades na sua vida. Encontrámos o Paul como o substituto perfeito. É óbvio que com um estilo um pouco diferente, mas a sonoridade era praticamente a mesma. A forma como ambos tocam guitarra é muito semelhante. Ao longo dos anos, o Eric manteve sempre o contacto connosco, somos amigos. Por isso, quando ele nos falou da sua ideia, em 2009, propusemos ir para a sala de ensaios improvisar um pouco e ver onde aquilo nos levava. Na altura, o projeto nem se chamava Grand Supreme Blood Court, mas sim The Company of Undertakers. Estávamos a divertir-nos imenso e o Alwin disse-nos que sentia saudades de tocar guitarra, visto que é o Paul que compõe o material todo para os Asphyx atualmente. Apesar de tocar baixo nos Asphyx e de também o ter feito nos Pulverizer, o Alwin é guitarrista nos Escutcheon. Então, ele e o Eric juntaram-se e criaram montes de riffs maravilhosos. Antes que dessemos conta, já tínhamos todas as canções compostas. Foi aí que o Eric me pediu para ser eu o vocalista e, como o material era tão bom e brutal, eu aceitei e comprometi-me a escrever as letras também. Só faltava um baixista para completar a formação e falei ao Eric do Theo, já que é um tipo impecável nos Hail of Bullets. Todos o conhecíamos e sabíamos como trabalhava, por isso achámos que era a melhor coisa a fazer. Não queríamos enfiar um estranho na banda. Depois, a Century Media ficou curiosa com o que andávamos a fazer e perguntou-nos se podia ouvir aquilo que compusemos. Dissemos que sim, claro. Assim que ouviu, pediu-nos para lançar o material e aceitámos. A maioria de nós trabalha com a editora e o Eric ainda recebe alguns direitos de autor por causa dos discos antigos dos Asphyx. Por isso, foi algo muito confortável. Resumidamente, é esta a história.

Há, claramente, um conceito por detrás das letras. Podes falar um pouco sobre ele e contar como surgiu?
Na verdade, foi uma coincidência, já que, inicialmente, o projeto se chamava The Company of Undertakers. Tinha esse nome, porque, apesar de não o vermos como uma brincadeira, era apenas algo para nos divertirmos. Porém, com o tempo, as estruturas das canções, os riffs e afins ficaram tão bons e profissionais que chegámos à conclusão que tínhamos dar um passo em frente. O conceito surgiu quando estava com o Eric enquanto ele escrevia as partes de guitarra. De repente, sentei-me no sofá e veio-me à cabeça uma ideia à qual chamei “Supreme Blood Court”, ou algo do género. Contei-lhe a minha ideia e ele mostrou-se muito entusiasmado e incentivou-me a desenvolvê-la. Então, comecei a escrever sobre isso e as canções ficaram prontas. Foi muito divertido e prazeroso. No entanto, apesar de ser um disco de Death Metal e as letras serem típicas do género, as pessoas deviam ler o que escrevi como uma espécie de livro de banda-desenhada. Como se fosse um livro de banda-desenhada sobre os cinco juízes que aparecem na Terra do nada e começam a servir justiça. Ninguém é preso, todos morrem no fim. A sentença é sempre a morte.

Sim, todos morrem cremados no final.
Exato. Tudo depende do crime que cometeste e se a sentença vai ser dolorosa e lenta, ou piedosa e rápida. Foi muito divertido escrever esta história e acho que liga muito bem com a banda.

Sem dúvida. Contudo, apesar de ser um conceito refrescante, também parece ser um pouco limitado. Foi difícil escrever um álbum inteiro sobre ele?
Podes crer que foi! (risos) No início, começas cheio de frescura e com um montão de ideias, mas, depois, à medida que vais escrevendo, apercebes-te que te estás a repetir. Só falas da justiça, dos juízes e das brutais sentenças de morte. De repente, apercebes-te que a tua fonte de inspiração está completamente gasta. Eu lia as letras e via que estava sempre a repetir versos. Foram precisas várias revisões, porque tinha de ser mais original e fazer algo melhor. No fim, foi muito difícil, especialmente as duas últimas letras. Até encontrar ideias novas, andava às voltas. Algumas palavras ainda se repetem, mas tentei evitá-lo ao máximo. Foi uma verdadeira luta.


Ainda é muito cedo, mas achas que vais utilizar o mesmo conceito no próximo álbum?
Não! O que acontece é que, quando trabalho com bandas, gosto de estar sempre à frente dos acontecimentos. Por exemplo, se termino um álbum, gosto de começar a pensar imediatamente em ideias para o próximo. Não gosto de me sentir desinspirado quando me apresentam ideias para um novo trabalho. Com os Grand Supreme Blood Court, estava num dilema, porque tinha esgotado todos os meus recursos. Só há pouco tempo é que me surgiu uma ideia diferente quando estava na sala de ensaios. Foi uma coincidência, até. Também está relacionada com tribunais, mas vai ser diferente. Pelo menos, já tenho uma ideia para um próximo álbum. De certeza que vamos lançar mais um, porque adorámos fazer este.

Como foi trabalhar com o Eric depois de tantos anos?
Deixei de trabalhar com ele depois do “Last One on Earth”, ao passo que o Bob foi após o “On the Wings of Inferno”, de 2000. Ao longo dos anos, continuámos amigos, por isso não existia qualquer animosidade entre nós. Sempre foi uma boa relação. Voltar a trabalhar com ele foi uma espécie de flashback, especialmente quando nos juntámos os três na sala de ensaios e pensámos “aqui estamos nós outra vez”. Para mim, o melhor foi ver o Eric voltar a fazer aquilo que mais gosta, tocar Death Metal. Ele é um grande compositor de riffs e um excelente guitarrista dentro do seu estilo. Não é um solista, mas a forma como escreve riffs… Foi mesmo muito bom ver o prazer que ele retira disto tudo. Simplesmente fantástico.

Será que podemos ver este projeto como uma continuação do que vocês fizeram enquanto estiveram juntos nos Asphyx? Isto é, como se os Asphyx tivessem terminado depois do “Last One on Earth” e tivessem regressado agora sob outra denominação…
Nem por isso, porque nunca foi essa a nossa intenção. Quando o Eric veio ter connosco, não imaginámos sequer que acabaríamos por lançar um disco. Depois, a Century Media pediu-nos para lançar o álbum, porque achava que tinha potencial. E nós aceitámos. Por que não haveríamos de o fazer? O material já estava composto. A grande diferença entre hoje e o passado é que o Eric não estava habituado a trabalhar com outro guitarrista. Ele foi sempre o único guitarrista nas bandas em que tocou. Por isso, estava um pouco cético em relação a isso. No entanto, depois de ter trabalhado com o Alwin, disse que houve uma química perfeita entre os dois. Com certeza terás reparado em algumas melodias ao longo do álbum que não parecem ter sido escritas pelo Eric. Essas partes são as do Alwin. Muita gente ficaria surpreendida se soubesse o quanto ele contribuiu para este trabalho. No que toca às guitarras, acho que foi mesmo 50/50 entre ele e o Eric. No entanto, voltando à tua pergunta, a resposta é sim. Podes ver este projeto como uma continuação do que eu, o Bob e o Eric fizemos no passado.

Até porque este projeto e os Asphyx partilham muitas semelhanças. Algo que não admira, já que vocês os três fazem, ou já fizeram no caso do Eric, parte dos Asphyx. Além disso, tanto este álbum como o “Deathhammer” foram misturados pelo Dan Swanö. Não te preocupa que as pessoas pensem que as duas bandas são demasiado parecidas? Ou achas que existem claras diferenças entre elas?
Em primeiro lugar, penso que existem algumas diferenças, mas é óbvio que existem muitas semelhanças também. Nós perguntámo-nos muitas vezes o que devíamos fazer. Teria sido melhor não fazer nada e deixar o material arrumado na estante? Teria sido uma pena! Já sabíamos que as pessoas nos iam perguntar se não teria sido mais simples o Eric regressar aos Asphyx. Contudo, há uma explicação para isso. A base dos Asphyx de antigamente e de hoje é a mesma, ou seja, nunca nos vamos vender e iremos sempre preservar o estilo brutal que temos. No entanto, há uma clara diferença entre o que eram os Asphyx antigamente e o que são hoje. O que acontece com os Grand Supreme Blood Court é que, principalmente devido aos riffs do Eric, remetem um pouco para o estilo antigo dos Asphyx. Claro que existem semelhanças, mas atualmente é o Paul que escreve tudo para os Asphyx. Foi ele que escreveu o “Death… the Brutal Way” e o “Deathhammer”. Acho que teria sido uma falta de respeito para com ele expulsá-lo só para trazer o Eric de volta. Não teria sido nada simpático, como deves entender. O surgimento deste projeto foi uma espécie de desenvolvimento a partir dos problemas que falei. Acabámos por fazer um disco e, ao que parece, o Alwin gostou muito de se ter juntado a nós, tal como o Theo. Foi assim que aconteceu e não queremos ofender ninguém! Simplesmente fazemos aquilo de que gostamos. Achamos que o material é muito bom e divertimo-nos imenso. Haverá sempre gente a atacar-nos. No entanto, é como já disse, íamos deixar este material arrumado na estante?


Não acredito que as pessoas vos ataquem por causa disso. O que acontece é que tu, em especial, tens um estilo muito característico e a forma como cantas nos Asphyx ou nos Hail of Bullets, por exemplo, é muito semelhante. As pessoas notam isso, mas não o veem como algo negativo, entendes?
Sim, acho que tens razão. É difícil para mim, é a minha voz. Com os Asphyx tento fazer gritos mais agudos, ao passo que nos Hail of Bullets tento fazê-los mais graves. Dá sempre para ver que sou eu, é a minha voz. (risos) Independentemente do que faça, é assim que soa. Antes de o Eric vir ter comigo, pensava que já tinha duas bandas e que não me ia meter em mais nenhum projeto, senão seria demasiado. Nunca esperava era que o Eric viesse ter comigo com uma proposta tão aliciante. Não é que ele me tenha implorado, mas notei que ele queria muito que me juntasse a ele e não consegui dizer que não. Era bom demais para dizer que não.

Claro, não te estou a julgar! (risos) Não tens culpa de ter um registo tão característico. Aliás, isso até é muito bom.
Sim, mas, em certa medida, acabas por ter razão. Às vezes, acho que estou a exagerar com estas bandas todas. No entanto, de uma coisa tenho a certeza. Esta vai ser a última banda em que me envolvo, independentemente do que acontecer! (risos) Já cheguei ao meu limite de bandas.

Mas não criarias uma banda onde não tocasses Death Metal e fosses baixista em vez de vocalista? Afinal de contas, chegaste a tocar baixo nos Asphyx e nos Pestilence.
Tenho falado dessa ideia com um amigo meu nos últimos cinco anos. Ele toca Hardcore e, uma vez, estávamos numa festa e eu disse-lhe que se alguma vez criasse um projeto onde só tocasse baixo que seria algo na onda de Discharge antigo, GBH, por aí. E seria esse meu amigo a assumir as vozes. Para mim, já chega de ser vocalista! (risos) No entanto, não vou concretizar essa ideia para já, porque estou demasiado ocupado com outras coisas.

Regressando aos Grand Supreme Blood Court, o vosso primeiro espetáculo vai ser na Alemanha, no dia 1 de Dezembro. Já ensaiaram muito?
Ensaiámos uma vez com a banda completa e algumas vezes só eu, o Bob e o Eric. Foi mais por causa do Eric, porque há muito tempo que não pisa um palco. Eu e os restantes membros já somos veteranos. Fazemos espetáculos durante o ano todo, por isso não é nada de novo. Será entusiasmante partilhar o palco com o Eric depois destes anos todos. No entanto, também será estranho. O espetáculo é a um Sábado e o que vamos fazer é um ensaio geral na Sexta-Feira. Todos sabemos qual é o nosso papel e estamos ansiosos para tocar.

E que planos têm para a agenda da banda?
Não exagerar. Nunca tivemos a intenção de tocar tanto ao vivo como nos Asphyx ou nos Hail of Bullets. Por isso, se fizermos mais espetáculos, queremos que sejam mais exclusivos. Muita gente já nos perguntou o motivo de o nosso primeiro espetáculo ser em Ingolstadt. Escolhemos esse lugar, porque as pessoas que estão a organizar o evento são muito especiais. Costumam organizar um festival chamado Death Doomed the Age e é sempre um evento muito especial. Por exemplo, este ano receberam o primeiro espetáculo de sempre dos Death Strike. Quando souberam que íamos lançar um disco, convidaram-nos e nós aceitámos, porque sabemos que organizam tudo muito bem. A comida é maravilhosa, assim como o ambiente e a cerveja. Vai ser muito bom! Depois, talvez façamos alguns espetáculos na Holanda. Gostaríamos de tocar no Party.San outra vez, por exemplo, porque gostamos muito desse festival. A partir daí, talvez escolher alguns concertos em alguns países onde realmente desejemos tocar.


E já que falas de festivais, tocaste este ano com os Asphyx e os Hail of Bullets cá em Portugal, no SWR Barroselas Metalfest. Gostaste da experiência e do festival?
Se gostei! Foi muito bom. Em primeiro lugar, o festival era fantástico, assim como o ambiente. Por vezes, até andava lá no meio do pessoal e tudo…

Sim, eu vi-te e até chegámos a conversar!
A sério? (risos)

Sim, estive no meet & greet contigo.
Porreiro! (risos) Há coisas que nunca esquecemos! Lembro-me de uns grandes bonecos de cartão que lá estavam e um deles era eu. Tirámos algumas fotografias e divertimo-nos imenso. Também nos fizeram uma espécie de questionário com os Hail of Bullets. A única coisa má, e não sei a razão para ter acontecido, foi a minha voz estar danificada. Talvez tenha sido por causa dos voos regulares e do ar condicionado dos aviões. Quando estava em palco com os Asphyx, tive problemas com a voz. Foi uma verdadeira treta! No fim, achámos que vocês mereciam mais! Queremos voltar aí e fazer um espetáculo como deve ser.

Sim, mas safaram-se…
No fim, sim. Com os Hail of Bullets, estava em plena forma. Correu muito bem, mas com os Asphyx… Quando acabou, até dissemos que foi o pior concerto que demos. Eu sei que as pessoas gostaram muito. Foi divertido ver o Tony, dos Whiplash, a saltar do palco a meio do nosso concerto. No fim, ele veio ter connosco e elogiou-nos, mas eu disse que estava triste com o que tinha acontecido e que me sentia mal, porque achava que podíamos ter feito muito melhor. Se calhar, como público, vocês não sentem isso, mas como banda, nós sentimos que podíamos ter feito melhor e que vocês mereciam mais. Ainda bem que gostaram. No fim de contas, o espetáculo nem foi assim tão mau, mas o início foi um pouco atabalhoado, especialmente por causa da minha voz. Quando tens problemas de voz, tens de aquecer durante uns três ou quatro temas e consegues recuperá-la por mais algum tempo. Só não entendi qual foi o problema. Como disse, penso que tem a ver com os voos regulares. Uns dias antes, estivemos na Roménia e, depois, eu fui para Portugal por causa do concerto de Hail of Bullets e, logo no dia a seguir, subi ao palco com os Asphyx. É estranho, porque quando andámos em digressão por Maryland, nos E.U.A., nunca tive a voz em perfeitas condições, apesar de treinar muito. Daí defender que o problema se deve ao ar condicionado dos aviões. Mas, voltando ao festival, se nos convidarem para ir aí outra vez, nós vamos! (risos) Os meus cumprimentos aos organizadores pelo seu trabalho fantástico. Só foi pena os Hirax não terem aparecido…

E, pronto, chegámos ao fim. Alguma coisa que queiras acrescentar?
Apenas que esperamos regressar aí, porque não ficámos satisfeitos com o último espetáculo. Teremos a nossa vingança! De certeza que voltaremos a Portugal, porque adorámos o tempo que passámos aí. E, quem sabe, se formos aí com os Asphyx, basta comprar dois bilhetes extra, para o Theo e o Eric, e os Grand Supreme Blood Court também poderão tocar! (risos) Muito obrigado a ti e ao resto dos fãs portugueses que vieram ver-nos e nos apoiam.

Entrevista realizada em colaboração com a Infektion Magazine.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Entrevista: Sinister

Os Sinister são uma das principais referências quando se fala de Death Metal proveniente da Holanda. Com uma carreira que já atingiu a marca das duas décadas, eles estão de volta com um novo álbum e uma formação renovada. Foi precisamente sobre isso que conversámos com o vocalista e líder do grupo, Aad Kloosterwaard.
Em Maio de 2011, ficaste numa posição difícil quando o Alex e o Edwin abandonaram os Sinister. No entanto, poucos dias do seu abandono, anunciaste que os teus colegas de banda nos Absurd Universe seriam os substitutos. Por que razão os escolheste e como é que eles reagiram ao teu convite?
Sim, não foi fácil, mas não era razão para acabar com os Sinister. Nem pensar! Contactei os meus colegas de banda nos Absurd Universe e falei-lhes sobre a hipótese de fazerem parte dos Sinister e eles disseram logo que sim. Por isso, foi muito bom... Uma formação nova num dia.

Agora que os Sinister e os Absurd Universe partilham a mesma formação, em que situação ficam os Absurd Universe?
Eu não tenho tempo para os Absurd Universe. Os Sinister, as nossas famílias e trabalhos já nos consomem todo o tempo que temos.
 
As mudanças de formação trazem novas ideias e motivação extra, mas, por outro lado, também afetam a estabilidade e a identidade musical de uma banda. Tendo em conta a tua carreira com os Sinister, como analisas a recente mudança de formação?
Já estou tão farto de falar sempre das mudanças de formação... Não posso fazer nada em relação a isso, as coisas são como são. A última formação não era boa para mim, estava a tocar com pessoas que não estavam lá muito interessadas em música e, muito menos, em Death Metal. Elas saíram por falta de motivação e, olhando para trás, fico contente que assim tenha sido, porque agora tenho uma formação cujos membros estão realmente interessados em Metal. Além disso, também sabem o que é tocar numa banda como Sinister. 


"The Carnage Ending" é um título curioso. Já vi alguns fãs preocupados com a possibilidade de este ser o vosso último álbum. No entanto, quando leio as tuas entrevistas, passas a ideia de que acabar com a banda não é algo que te passe sequer pela cabeça. Podes explicar, então, o significado deste título?
(Risos) Sim, eu sei disso e não sei o porquê de os fãs pensarem isso. "The Carnage Ending" é um título que soa bem e foi essa a única a razão para o escolhermos. Também já temos o título para o próximo álbum, que vai ser um trabalho conceptual. Já escrevemos seis letras para ele!

Este álbum foi gravado nos Soundlodge Studios com o Jörg Uken, tal como o "Legacy of Ashes". Presumo que estejas muito contente com os resultados obtidos e que gostes de trabalhar com o Jörg. 
Claro! Estou mesmo muito contente com os resultados. Trabalhar com o Jörg é sempre bom para os Sinister, porque ele dá-nos sempre o som que gostamos de ter. Os dois últimos álbuns também foram gravados nos Soundlodge Studios, por isso não precisámos de pensar muito na hora de voltar lá.

Gravaram cinco versões para a edição especial. Como surgiu esta ideia e como escolheram as versões que iam fazer?
Foi ideia minha. Já a tinha em mente há mais tempo, mas não foi possível concretizá-la com os membros da formação anterior, porque para eles isso dava demasiado trabalho. Agora com esta formação foi a altura certa para colocar esta ideia em prática e penso que funcionou incrivelmente bem. Ficou claro desde o primeiro momento que teriam de ser canções do nosso passado e, por isso, escolhemos cinco que toda a gente conhece. Só a dos Bloodfeast é que talvez não seja tão famosa.

De todas as versões, tens alguma favorita?
É difícil dizer, porque gosto de todas as bandas. Contudo escolho a “Spit on Your Grave”, dos Whiplash. Gosto muito dessa.


Até ao momento, o que te têm dito os fãs sobre o “The Carnage Ending”?
Temos tido respostas incríveis e estamos mesmo muito felizes por isso. Matámo-nos a trabalhar neste álbum para que soasse o melhor possível.

Como único membro sobrevivente da formação original, quais foram para ti os melhores e piores momentos durante estas duas décadas nos Sinister?
Há demasiado para dizer em relação a isso! Todas as bandas têm os seus altos e baixos, mas posso dizer que estou muito orgulhoso desta grande banda.

Quando formaste os Sinister, eras o baterista e agora és o vocalista. Como comparas esses dois papéis na banda e que vantagens e desvantagens trazem?
Estou feliz por agora ser o vocalista, porque graças a isso recuperei o prazer em fazer música. Depois de tantos anos como baterista, já não sentia esse prazer. Uma coisa boa agora é que já apareço nas fotografias dos concertos (risos).

Entrevista feita em colaboração com a Infektion Magazine.