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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Behexen: Nightside Emanations

Behexen
"Nightside Emanations"
Debemur Morti
7/10

Vá-se lá saber se por capricho ou mera coincidência, todos os álbuns dos Behexen estão separados por um intervalo de quatro anos. Depois da ligeira desilusão que foi “My Soul for His Glory”, os finlandeses surgem com o seu quarto registo, “Nightside Emanations”, no qual contam com a preciosa ajuda de uma nova dupla de guitarristas, constituída por Wraath e Shatraugh, mentor de outra respeitada banda do país dos mil lagos, os Sargeist. Terminada a lúgubre introdução que dá início a este disco, “Wrathful Dragon Hau-Hra” e “Death’s Black Light” fustigam o ouvinte com uma fúria contagiante. São dois temas rápidos, embora bem distintos, possuidores de uns riffs que têm tanto de maléfico como de orelhudo. Em seguida, "Circle Me…” e “We Burn with Serpent Fire” adotam um compasso mais lento, mas não menos cativante, onde os Behexen mostram a vertente decadente e ritualista do seu Black Metal ortodoxo. Porém, o entusiasmo criado por este conjunto de temas acaba por esmorecer na segunda parte de “Nightside Emanations”. Não é que faixas como “Awaken Tiamat” ou “Shining Death” sejam más, longe disso. Não estão é ao nível do material apresentado na primeira metade do álbum que, por si só, é digna da atenção dos fãs de Black Metal da segunda vaga.

Crítica originalmente publicada na Infektion Magazine nº18.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Wyrd: Kalivägi

 Wyrd
"Kalivägi"
Naga Productions
8/10

Os Wyrd formaram-se em 1998, depois do antigo projecto de Narqath, Hellkult, ter terminado. Inicialmente, praticavam Black Metal pagão, com um toque depressivo e ambiental à la Burzum. Durante cinco álbuns, a banda foi aperfeiçoando a sua sonoridade e adicionando alguns elementos musicais diferentes. No entanto, com o lançamento de “The Ghost Album” (2006) e “Kammen” (2007), notou-se que Narqath queria explorar uma sonoridade igualmente melancólica, mas mais inclinada para algo como o que Katatonia faziam entre 1996 e 1998. 

“Kalivägi”, o oitavo longa-duração dos Wyrd, aponta para uma direcção musical diferente em relação ao seu antecessor. Apesar de poder ser considerado como um regresso às origens, uma vez que recupera vários elementos de álbuns como “Huldrafolk” ou “Vargtimmen PT. II”, este novo lançamento engloba também algumas influências dos discos mais recentes. Para além disso, a voz de Narqath sofreu algumas mudanças, variando agora entre as vozes rasgadas do Black Metal e um registo limpo arrastado. “Verisurma”, a faixa que abre este registo, demonstra uma mistura entre o som primitivo e mais recente dos Wyrd. É um tema ligeiramente rápido, onde a presença dos órgãos proporciona a típica atmosfera pagã dos primeiros álbuns da banda. As guitarras, por outro lado, já apontam para a sonoridade dos discos mais recentes. Em seguida, temos “Kalivägi”, que é uma canção arrastada, próxima do Doom Metal. Mais uma vez, existe a dualidade entre o material antigo e o mais recente. O primeiro de novo pelos órgãos e o segundo pelo solo rockeiro, perto do final do tema. Nas restantes quatro faixas, é a sonoridade antiga dos Wyrd que predomina. Seja pelos dedilhados acústicos e melancólicos de guitarra de “Hämärän Soutajat”, pelos dedilhados distorcidos acompanhados pelo subtil toque ambiental dos teclados (que lembram Burzum) na longa e depressiva “Talviyö”, ou pela velocidade de canções como a excelente e cativante “Loitsulaulu” ou “Kaikki Metsän Kaiut”, que a meio descamba para algo mais lento e ambiental.

Resumindo, “Kalivägi” é mais um passo em frente na carreira dos Wyrd. Apesar de Narqath fazer uso de vários elementos musicais já presentes nos discos anteriores, a forma como os combina e o toque experimental/inovador que dá às suas composições, tornam este novo álbum em algo especial e único na discografia destes finlandeses. Recomendado aos fãs da banda e a todos que gostem de Metal pagão.

Crítica originalmente escrita para a Rock Heavy Loud.