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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Grand Supreme Blood Court: Bow Down Before the Blood Court

Grand Supreme Blood Court
"Bow Down Before the Blood Court"
Century Media
7,5/10

Os Grand Supreme Blood Court nasceram do regresso de Eric Daniels, ex-guitarrista dos Asphyx, às lides metálicas após vários anos de ausência. Fazendo-se acompanhar por músicos veteranos, entre os quais o carismático Martin van Drunen, o holandês apresenta aqui o álbum de estreia do seu novo projeto. Em termos de sonoridade, “Bow Down Before the Blood Court” assemelha-se imenso ao Death/Doom Metal praticado pelos Asphyx, o que não admira, já que ambas as bandas partilham três membros em comum além de Eric. Apesar de um bom início com “All Rise!”, só a partir do quinto tema, Behead the Defence”, é que o disco começa a revelar os seus pontos fortes. Depois da pequena surpresa que é o instrumental “Grand Justice, Grand Pain”, é criado um equilíbrio eficaz entre a velocidade furiosa de “Fed to the Boars” e “Piled Up for the Scavengers” e canções mais arrastadas como “Circus of Mass Torment” e “Public Castration”, terminando tudo com “…And Thus the Billions Shall Burn”, um épico de quase 10 minutos. No final, não restam dúvidas em relação à competência da banda, mas depois de uma bomba como “Deathhammer”, com uma sonoridade e produção tão semelhantes, este trabalho acaba por ficar uns furos abaixo do esperado. Ainda assim, escutem a brutal sentença proferida por estes cinco juízes. Não darão o vosso tempo por perdido.

Crítica originalmente publicada na Infektion Magazine nº19.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Entrevista: Grand Supreme Blood Court

Compostos por membros de Asphyx e Hail of Bullets, entre os quais se destaca o recém-regressado guitarrista Eric Daniels, os Grand Supreme Blood Court prometem dar que falar. Aproveitando o lançamento do álbum de estreia do grupo, conversámos com o vocalista Martin van Drunen.

Como começou este projeto e como culminou no lançamento do “Bow Down Before the Blood Court”?
Tudo começou quando o Eric veio ter comigo e com o Bob após alguns anos sem fazer Metal. Quando voltámos ao ativo com os Asphyx, ele estava indisponível para se juntar a nós, porque andava muito ocupado e tinha outras prioridades na sua vida. Encontrámos o Paul como o substituto perfeito. É óbvio que com um estilo um pouco diferente, mas a sonoridade era praticamente a mesma. A forma como ambos tocam guitarra é muito semelhante. Ao longo dos anos, o Eric manteve sempre o contacto connosco, somos amigos. Por isso, quando ele nos falou da sua ideia, em 2009, propusemos ir para a sala de ensaios improvisar um pouco e ver onde aquilo nos levava. Na altura, o projeto nem se chamava Grand Supreme Blood Court, mas sim The Company of Undertakers. Estávamos a divertir-nos imenso e o Alwin disse-nos que sentia saudades de tocar guitarra, visto que é o Paul que compõe o material todo para os Asphyx atualmente. Apesar de tocar baixo nos Asphyx e de também o ter feito nos Pulverizer, o Alwin é guitarrista nos Escutcheon. Então, ele e o Eric juntaram-se e criaram montes de riffs maravilhosos. Antes que dessemos conta, já tínhamos todas as canções compostas. Foi aí que o Eric me pediu para ser eu o vocalista e, como o material era tão bom e brutal, eu aceitei e comprometi-me a escrever as letras também. Só faltava um baixista para completar a formação e falei ao Eric do Theo, já que é um tipo impecável nos Hail of Bullets. Todos o conhecíamos e sabíamos como trabalhava, por isso achámos que era a melhor coisa a fazer. Não queríamos enfiar um estranho na banda. Depois, a Century Media ficou curiosa com o que andávamos a fazer e perguntou-nos se podia ouvir aquilo que compusemos. Dissemos que sim, claro. Assim que ouviu, pediu-nos para lançar o material e aceitámos. A maioria de nós trabalha com a editora e o Eric ainda recebe alguns direitos de autor por causa dos discos antigos dos Asphyx. Por isso, foi algo muito confortável. Resumidamente, é esta a história.

Há, claramente, um conceito por detrás das letras. Podes falar um pouco sobre ele e contar como surgiu?
Na verdade, foi uma coincidência, já que, inicialmente, o projeto se chamava The Company of Undertakers. Tinha esse nome, porque, apesar de não o vermos como uma brincadeira, era apenas algo para nos divertirmos. Porém, com o tempo, as estruturas das canções, os riffs e afins ficaram tão bons e profissionais que chegámos à conclusão que tínhamos dar um passo em frente. O conceito surgiu quando estava com o Eric enquanto ele escrevia as partes de guitarra. De repente, sentei-me no sofá e veio-me à cabeça uma ideia à qual chamei “Supreme Blood Court”, ou algo do género. Contei-lhe a minha ideia e ele mostrou-se muito entusiasmado e incentivou-me a desenvolvê-la. Então, comecei a escrever sobre isso e as canções ficaram prontas. Foi muito divertido e prazeroso. No entanto, apesar de ser um disco de Death Metal e as letras serem típicas do género, as pessoas deviam ler o que escrevi como uma espécie de livro de banda-desenhada. Como se fosse um livro de banda-desenhada sobre os cinco juízes que aparecem na Terra do nada e começam a servir justiça. Ninguém é preso, todos morrem no fim. A sentença é sempre a morte.

Sim, todos morrem cremados no final.
Exato. Tudo depende do crime que cometeste e se a sentença vai ser dolorosa e lenta, ou piedosa e rápida. Foi muito divertido escrever esta história e acho que liga muito bem com a banda.

Sem dúvida. Contudo, apesar de ser um conceito refrescante, também parece ser um pouco limitado. Foi difícil escrever um álbum inteiro sobre ele?
Podes crer que foi! (risos) No início, começas cheio de frescura e com um montão de ideias, mas, depois, à medida que vais escrevendo, apercebes-te que te estás a repetir. Só falas da justiça, dos juízes e das brutais sentenças de morte. De repente, apercebes-te que a tua fonte de inspiração está completamente gasta. Eu lia as letras e via que estava sempre a repetir versos. Foram precisas várias revisões, porque tinha de ser mais original e fazer algo melhor. No fim, foi muito difícil, especialmente as duas últimas letras. Até encontrar ideias novas, andava às voltas. Algumas palavras ainda se repetem, mas tentei evitá-lo ao máximo. Foi uma verdadeira luta.


Ainda é muito cedo, mas achas que vais utilizar o mesmo conceito no próximo álbum?
Não! O que acontece é que, quando trabalho com bandas, gosto de estar sempre à frente dos acontecimentos. Por exemplo, se termino um álbum, gosto de começar a pensar imediatamente em ideias para o próximo. Não gosto de me sentir desinspirado quando me apresentam ideias para um novo trabalho. Com os Grand Supreme Blood Court, estava num dilema, porque tinha esgotado todos os meus recursos. Só há pouco tempo é que me surgiu uma ideia diferente quando estava na sala de ensaios. Foi uma coincidência, até. Também está relacionada com tribunais, mas vai ser diferente. Pelo menos, já tenho uma ideia para um próximo álbum. De certeza que vamos lançar mais um, porque adorámos fazer este.

Como foi trabalhar com o Eric depois de tantos anos?
Deixei de trabalhar com ele depois do “Last One on Earth”, ao passo que o Bob foi após o “On the Wings of Inferno”, de 2000. Ao longo dos anos, continuámos amigos, por isso não existia qualquer animosidade entre nós. Sempre foi uma boa relação. Voltar a trabalhar com ele foi uma espécie de flashback, especialmente quando nos juntámos os três na sala de ensaios e pensámos “aqui estamos nós outra vez”. Para mim, o melhor foi ver o Eric voltar a fazer aquilo que mais gosta, tocar Death Metal. Ele é um grande compositor de riffs e um excelente guitarrista dentro do seu estilo. Não é um solista, mas a forma como escreve riffs… Foi mesmo muito bom ver o prazer que ele retira disto tudo. Simplesmente fantástico.

Será que podemos ver este projeto como uma continuação do que vocês fizeram enquanto estiveram juntos nos Asphyx? Isto é, como se os Asphyx tivessem terminado depois do “Last One on Earth” e tivessem regressado agora sob outra denominação…
Nem por isso, porque nunca foi essa a nossa intenção. Quando o Eric veio ter connosco, não imaginámos sequer que acabaríamos por lançar um disco. Depois, a Century Media pediu-nos para lançar o álbum, porque achava que tinha potencial. E nós aceitámos. Por que não haveríamos de o fazer? O material já estava composto. A grande diferença entre hoje e o passado é que o Eric não estava habituado a trabalhar com outro guitarrista. Ele foi sempre o único guitarrista nas bandas em que tocou. Por isso, estava um pouco cético em relação a isso. No entanto, depois de ter trabalhado com o Alwin, disse que houve uma química perfeita entre os dois. Com certeza terás reparado em algumas melodias ao longo do álbum que não parecem ter sido escritas pelo Eric. Essas partes são as do Alwin. Muita gente ficaria surpreendida se soubesse o quanto ele contribuiu para este trabalho. No que toca às guitarras, acho que foi mesmo 50/50 entre ele e o Eric. No entanto, voltando à tua pergunta, a resposta é sim. Podes ver este projeto como uma continuação do que eu, o Bob e o Eric fizemos no passado.

Até porque este projeto e os Asphyx partilham muitas semelhanças. Algo que não admira, já que vocês os três fazem, ou já fizeram no caso do Eric, parte dos Asphyx. Além disso, tanto este álbum como o “Deathhammer” foram misturados pelo Dan Swanö. Não te preocupa que as pessoas pensem que as duas bandas são demasiado parecidas? Ou achas que existem claras diferenças entre elas?
Em primeiro lugar, penso que existem algumas diferenças, mas é óbvio que existem muitas semelhanças também. Nós perguntámo-nos muitas vezes o que devíamos fazer. Teria sido melhor não fazer nada e deixar o material arrumado na estante? Teria sido uma pena! Já sabíamos que as pessoas nos iam perguntar se não teria sido mais simples o Eric regressar aos Asphyx. Contudo, há uma explicação para isso. A base dos Asphyx de antigamente e de hoje é a mesma, ou seja, nunca nos vamos vender e iremos sempre preservar o estilo brutal que temos. No entanto, há uma clara diferença entre o que eram os Asphyx antigamente e o que são hoje. O que acontece com os Grand Supreme Blood Court é que, principalmente devido aos riffs do Eric, remetem um pouco para o estilo antigo dos Asphyx. Claro que existem semelhanças, mas atualmente é o Paul que escreve tudo para os Asphyx. Foi ele que escreveu o “Death… the Brutal Way” e o “Deathhammer”. Acho que teria sido uma falta de respeito para com ele expulsá-lo só para trazer o Eric de volta. Não teria sido nada simpático, como deves entender. O surgimento deste projeto foi uma espécie de desenvolvimento a partir dos problemas que falei. Acabámos por fazer um disco e, ao que parece, o Alwin gostou muito de se ter juntado a nós, tal como o Theo. Foi assim que aconteceu e não queremos ofender ninguém! Simplesmente fazemos aquilo de que gostamos. Achamos que o material é muito bom e divertimo-nos imenso. Haverá sempre gente a atacar-nos. No entanto, é como já disse, íamos deixar este material arrumado na estante?


Não acredito que as pessoas vos ataquem por causa disso. O que acontece é que tu, em especial, tens um estilo muito característico e a forma como cantas nos Asphyx ou nos Hail of Bullets, por exemplo, é muito semelhante. As pessoas notam isso, mas não o veem como algo negativo, entendes?
Sim, acho que tens razão. É difícil para mim, é a minha voz. Com os Asphyx tento fazer gritos mais agudos, ao passo que nos Hail of Bullets tento fazê-los mais graves. Dá sempre para ver que sou eu, é a minha voz. (risos) Independentemente do que faça, é assim que soa. Antes de o Eric vir ter comigo, pensava que já tinha duas bandas e que não me ia meter em mais nenhum projeto, senão seria demasiado. Nunca esperava era que o Eric viesse ter comigo com uma proposta tão aliciante. Não é que ele me tenha implorado, mas notei que ele queria muito que me juntasse a ele e não consegui dizer que não. Era bom demais para dizer que não.

Claro, não te estou a julgar! (risos) Não tens culpa de ter um registo tão característico. Aliás, isso até é muito bom.
Sim, mas, em certa medida, acabas por ter razão. Às vezes, acho que estou a exagerar com estas bandas todas. No entanto, de uma coisa tenho a certeza. Esta vai ser a última banda em que me envolvo, independentemente do que acontecer! (risos) Já cheguei ao meu limite de bandas.

Mas não criarias uma banda onde não tocasses Death Metal e fosses baixista em vez de vocalista? Afinal de contas, chegaste a tocar baixo nos Asphyx e nos Pestilence.
Tenho falado dessa ideia com um amigo meu nos últimos cinco anos. Ele toca Hardcore e, uma vez, estávamos numa festa e eu disse-lhe que se alguma vez criasse um projeto onde só tocasse baixo que seria algo na onda de Discharge antigo, GBH, por aí. E seria esse meu amigo a assumir as vozes. Para mim, já chega de ser vocalista! (risos) No entanto, não vou concretizar essa ideia para já, porque estou demasiado ocupado com outras coisas.

Regressando aos Grand Supreme Blood Court, o vosso primeiro espetáculo vai ser na Alemanha, no dia 1 de Dezembro. Já ensaiaram muito?
Ensaiámos uma vez com a banda completa e algumas vezes só eu, o Bob e o Eric. Foi mais por causa do Eric, porque há muito tempo que não pisa um palco. Eu e os restantes membros já somos veteranos. Fazemos espetáculos durante o ano todo, por isso não é nada de novo. Será entusiasmante partilhar o palco com o Eric depois destes anos todos. No entanto, também será estranho. O espetáculo é a um Sábado e o que vamos fazer é um ensaio geral na Sexta-Feira. Todos sabemos qual é o nosso papel e estamos ansiosos para tocar.

E que planos têm para a agenda da banda?
Não exagerar. Nunca tivemos a intenção de tocar tanto ao vivo como nos Asphyx ou nos Hail of Bullets. Por isso, se fizermos mais espetáculos, queremos que sejam mais exclusivos. Muita gente já nos perguntou o motivo de o nosso primeiro espetáculo ser em Ingolstadt. Escolhemos esse lugar, porque as pessoas que estão a organizar o evento são muito especiais. Costumam organizar um festival chamado Death Doomed the Age e é sempre um evento muito especial. Por exemplo, este ano receberam o primeiro espetáculo de sempre dos Death Strike. Quando souberam que íamos lançar um disco, convidaram-nos e nós aceitámos, porque sabemos que organizam tudo muito bem. A comida é maravilhosa, assim como o ambiente e a cerveja. Vai ser muito bom! Depois, talvez façamos alguns espetáculos na Holanda. Gostaríamos de tocar no Party.San outra vez, por exemplo, porque gostamos muito desse festival. A partir daí, talvez escolher alguns concertos em alguns países onde realmente desejemos tocar.


E já que falas de festivais, tocaste este ano com os Asphyx e os Hail of Bullets cá em Portugal, no SWR Barroselas Metalfest. Gostaste da experiência e do festival?
Se gostei! Foi muito bom. Em primeiro lugar, o festival era fantástico, assim como o ambiente. Por vezes, até andava lá no meio do pessoal e tudo…

Sim, eu vi-te e até chegámos a conversar!
A sério? (risos)

Sim, estive no meet & greet contigo.
Porreiro! (risos) Há coisas que nunca esquecemos! Lembro-me de uns grandes bonecos de cartão que lá estavam e um deles era eu. Tirámos algumas fotografias e divertimo-nos imenso. Também nos fizeram uma espécie de questionário com os Hail of Bullets. A única coisa má, e não sei a razão para ter acontecido, foi a minha voz estar danificada. Talvez tenha sido por causa dos voos regulares e do ar condicionado dos aviões. Quando estava em palco com os Asphyx, tive problemas com a voz. Foi uma verdadeira treta! No fim, achámos que vocês mereciam mais! Queremos voltar aí e fazer um espetáculo como deve ser.

Sim, mas safaram-se…
No fim, sim. Com os Hail of Bullets, estava em plena forma. Correu muito bem, mas com os Asphyx… Quando acabou, até dissemos que foi o pior concerto que demos. Eu sei que as pessoas gostaram muito. Foi divertido ver o Tony, dos Whiplash, a saltar do palco a meio do nosso concerto. No fim, ele veio ter connosco e elogiou-nos, mas eu disse que estava triste com o que tinha acontecido e que me sentia mal, porque achava que podíamos ter feito muito melhor. Se calhar, como público, vocês não sentem isso, mas como banda, nós sentimos que podíamos ter feito melhor e que vocês mereciam mais. Ainda bem que gostaram. No fim de contas, o espetáculo nem foi assim tão mau, mas o início foi um pouco atabalhoado, especialmente por causa da minha voz. Quando tens problemas de voz, tens de aquecer durante uns três ou quatro temas e consegues recuperá-la por mais algum tempo. Só não entendi qual foi o problema. Como disse, penso que tem a ver com os voos regulares. Uns dias antes, estivemos na Roménia e, depois, eu fui para Portugal por causa do concerto de Hail of Bullets e, logo no dia a seguir, subi ao palco com os Asphyx. É estranho, porque quando andámos em digressão por Maryland, nos E.U.A., nunca tive a voz em perfeitas condições, apesar de treinar muito. Daí defender que o problema se deve ao ar condicionado dos aviões. Mas, voltando ao festival, se nos convidarem para ir aí outra vez, nós vamos! (risos) Os meus cumprimentos aos organizadores pelo seu trabalho fantástico. Só foi pena os Hirax não terem aparecido…

E, pronto, chegámos ao fim. Alguma coisa que queiras acrescentar?
Apenas que esperamos regressar aí, porque não ficámos satisfeitos com o último espetáculo. Teremos a nossa vingança! De certeza que voltaremos a Portugal, porque adorámos o tempo que passámos aí. E, quem sabe, se formos aí com os Asphyx, basta comprar dois bilhetes extra, para o Theo e o Eric, e os Grand Supreme Blood Court também poderão tocar! (risos) Muito obrigado a ti e ao resto dos fãs portugueses que vieram ver-nos e nos apoiam.

Entrevista realizada em colaboração com a Infektion Magazine.

domingo, 7 de outubro de 2012

Sinister: The Carnage Ending

Sinister
"The Carnage Ending"
Massacre Records
8/10

Inicialmente como baterista e desde 2005 como vocalista, Aad Kloosterwaard tem-se mantido firme ao leme dos Sinister, resistindo às várias adversidades que se intrometem no seu percurso. Com a saída de Alex Paul e Edwin van den Eeden em Maio do ano passado, o holandês viu-se obrigado a procurar novos membros e a escolha recaiu nos seus colegas de banda nos Absurd Universe. “The Carnage Ending” é o primeiro álbum a sair com a nova formação e o décimo da carreira da banda. Produzido por Jörg Uken nos Soundlodge Studios, mantém a abordagem directa e menos experimental do seu antecessor, “Legacy of Ashes”. Após uma breve introdução, somos presenteados com dez faixas de Death Metal dinâmico, sendo “Transylvania (City of the Damned)” e a faixa-título as que mais se destacam graças à forma extremamente eficaz como mesclam brutalidade, velocidade e compassos mais lentos. Se três quartos de hora de tareia não forem suficientes, a edição especial de “The Carnage Ending” contém um CD bónus com versões de Whiplash, Massacre, Possessed, Celtic Frost e Bloodfeast que oferecem algo com um estilo um pouco diferente, mas igualmente cativante. Em poucas palavras, estamos perante mais uma boa proposta daquela que é uma das entidades mais importantes do Death Metal holandês e esperemos que o título dado a este trabalho não seja um prenúncio de que a carnificina se aproxima do fim.

Crítica originalmente escrita para a Infektion Magazine nº17.

domingo, 25 de julho de 2010

Ulysses: The Gift Of Tears

Ulysses
"The Gift of Tears"
Edição do Autor
5,5/10

Não sendo um grande admirador de Rock/Metal Progressivo, foi com alguma surpresa que recebi uma promo do mais recente trabalho dos Ulysses, intitulado «The Gift Of Tears». Embora tenha sido lançado em Novembro de 2008 nos E.U.A., só em Março de 2009 chegou ao território europeu e japonês através da Musea Records.

Comparado ao seu antecessor, «Symbioses», de 2003, este novo disco apresenta algumas alterações. Primeiro, o limitado vocalista Raymond Jansen e o baixista Marcel foram substituídos por Michael Hos e Casper Kroon. Segundo, o colectivo holandês apostou numa fórmula de composição diferente, dando maior ênfase às vocalizações e às letras que, através de histórias reais, visam tornar «The Gift Of Tears» não só numa experiência mais profunda, mas também ensinar-nos a valorizar mais a vida. Contudo, apesar de todas as mudanças e da ambição demonstrada, o novo disco dos Ulysses deixa bastante a desejar. A maioria das faixas aqui presentes possui uma estrutura semelhante, que pode ser dividida em duas partes distintas. A primeira consiste numa progressão tipo verso-refrão-verso-refrão, onde Michael Hos tenta transmitir a emoção contida nas letras. Porém, embora seja melhor que o antigo vocalista, Hos não parece ser o membro adequado para o cargo, visto que o seu registo é extremamente monótono e parece, por vezes, estar fora de tom. A segunda parte concentra-se mais nos instrumentos, principalmente na guitarra e nos teclados, valendo a pena destacar a qualidade dos solos de guitarra de Sylvester Vogelenzang, cheios de beleza e emoção. Apesar de não existir nenhuma canção que justifique a compra de «The Gift Of Tears», a breve e triste «Silence Of The Night» e a longa e progressiva «Anat» são bastante agradáveis. Se na primeira encontramos a melhor prestação de Michael Hos, acompanhada por piano, na segunda deparamo-nos com o tema que serviu de base a este álbum. Durante aproximadamente 15minutos, os Ulysses contam-nos a história de dois jovens pais que perderam a sua bebé de um ano devido a um tumor cerebral. A forma como a banda interpreta vários estados de espírito, tais como a felicidade, desespero, tristeza, sofrimento, demonstra que Sylvester e companhia são capazes de criar música cativante e cheia de emoção.

Em conclusão, ainda não foi desta que os Ulysses criaram um disco forte, memorável e merecedor da nossa atenção. Ainda existem muitas arestas por limar nas suas composições, sendo uma delas a voz de Michael Hos. No entanto, a banda holandesa demonstra ter capacidades para fazer bem melhor, por isso fico à espera dum novo trabalho.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Entrevista: Israthoum

Actualmente a residir na Holanda, os portugueses Israthoum têm vindo a evoluir nos últimos anos. Com «Monument Of Brimstone», o seu segundo disco, o colectivo conseguiu obter críticas bastante favoráveis e assinou com a respeitável editora finlandesa Spinefarm Records. Aproveitando este bom momento, o THMS pôs-se à conversa com Arvath, baterista da banda.


Antes de mais, muito obrigado por teres aceitado o meu convite. Para começar, introduz os Israthoum aos nossos leitores.
Neste momento, o line-up de Israthoum consiste em Voxinferi (voz/baixo), Kald (guitarra), Arvath (bateria) e Agramon (teclas). Basicamente, este line-up é o utilizado para concertos ao vivo, dado que nas composições e gravações fazemos todos um pouco de tudo.

Os Israthoum formaram-se em 1992, no entanto, «Monument Of Brimstone» é ainda o vosso segundo disco. Existe alguma razão especial para este facto ou as coisas simplesmente aconteceram assim?
É verdade, se bem que acabámos por considerar o «Black Scenery Avatar» mais um MCD que um álbum propriamente dito. Mas apesar de só termos 2 álbuns editados, já temos material diverso gravado desde '92/'93 (demos, etc.). A verdade é que nunca fizemos grande esforço para lançar o nosso som para fora (nem tínhamos grandes condições para tal). Portanto deixámos as coisas simplesmente desenvolverem-se por si, sem pressão e sem forçar. Creio que desde sempre tivemos a postura de que, a partir do momento em que o nosso material fosse suficientemente bom, ele vender-se-ia a si próprio. Também acho que, ao contrário de muitas bandas, temos demasiada integridade para andar por aí a dar graxa (ou pagar dinheiro!) para arranjar uns concertozitos ou bombardear pessoas e editoras com flyers e demais propaganda de desespero para captar a atenção para a banda. Mas não faltam bandas que o façam, é absurdo.

Como é que surgiu o contrato com a Spinefarm Records?
O nosso amigo e colaborador Kvohst achou sensato apresentar ao Sami da Spinefarm Records. Esse, por sua vez, curtiu o nosso álbum e a partir daí surgiu o contrato com a editora.

Falemos agora sobre «Monument Of Brimstone». Embora tenha sido originalmente editado em Outubro de 2008, continuam satisfeitos com o resultado final?
Por volta dessa data fizemos só umas 50 cópias provisórias do álbum (com lay-out exclusivo) pela minha própria editora S.A.R.S. Productions e o lançamento oficial pela Spikefarm surgiu poucos meses depois. Apesar de o álbum conter material composto entre 2001 e 2008, continuamos bastante satisfeitos. Os elementos básicos que nele constam, a frieza e a obscuridade, continuam a ser representativos para a nossa arte. As faixas como estão gravadas e com o som que têm, representam um marco na história da banda, e pelo tal é sagrado. Não há cá arrependimentos...


Para ti, quais são as principais diferenças entre este novo trabalho e «Black Scenery Avatar»?
Há um mundo de diferença, isso será fácil de notar. A seguir ao «Black Scenery Avatar» ficámos muito mais selectivos quanto aos riffs e às atmosferas criadas. Ligado a isso, aperfeiçoámos também imenso o papel do sintetizador nas composições, tendo este ficado completamente no plano de fundo. Os vocais também foram muito mais ponderados no último CD e os detalhes tidos em conta, o que no MCD infelizmente ainda deixava muito a desejar. Posso dizer que nos levou algum tempo até conseguirmos exprimir bem o que fermentava aqui dentro, mas que o «Monument of Brimstone» foi sem dúvida o passo certeiro na direcção certa. Por fim acho que acabámos por conseguir definir bem a atmosfera que melhor ilustra as nossas letras. Como um bom vinho, levou o seu tempo a apurar.

Quais são os vossos planos para o futuro? Já começaram a compor para o próximo disco?
O próximo álbum já está totalmente composto. Estamos neste momento prestes a entrar em estúdio para gravar esta farpa. Se tudo correr como planeado, iremos gravar dentro de 2 ou 3 meses em Oslo, no estúdio do Vicotnik. Fora isso, vamos dando uns concertos conforme nos são oferecidos. O próximo vai ser em Helsinki / Finlândia no final de Junho com Azaghal e mais não sei quem. E por falar nisso, não nos arranjam uns concertos pelas ricas terras Lusas pá?

Apesar de viveres na Holanda, ainda mantens contacto com Portugal e com a música que se vai fazendo por cá?
Claro! Temos família e bons amigos em Portugal e é lá que estão as nossas origens, portanto vamos a Portugal sempre que podemos. Para além disso também fazemos por ficar a par do progresso a nível do movimento Black Metal em Portugal. Para além das famosas hordas já por todos conhecidas, temos reparado noutros projectos mais em segundo plano que só nos podem deixar com a conclusão de que Portugal se está a proliferar muito bem a nível de Black Metal. É claro que está na moda dizer que a cena Black Metal está morta e que tudo o que é tudo uma cambada de palhaços, mas não vejo razão para andar por aí a gritar esses clichés no que diz respeito a Portugal, a Holanda, ou mesmo para o resto do mundo. Acho que em linhas gerais, o Black Metal está a atingir um nível de qualidade nunca antes visto nestas quantidades. Palhaços e frutos podres hão-de existir sempre, mas esses são fáceis de identificar e devem apenas ser ignorados.

Por fim, há alguma mensagem que queiras deixar aos nossos leitores?
Obrigado pela entrevista Eduardo! Quem estiver interessado ainda poderá adquirir o Monument of Brimstone directamente pela banda (israthoum@hotmail.com), tanto em LP como em CD, mas aconselho que se despachem porque já só temos mesmo poucas cópias! Além disso, agora também temos t-shirts exclusivas disponíveis (shirt preta com impressão cinzenta, lim. a 50 cópias). Estas só podem ser encomendadas por nós.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Israthoum: Monument Of Brimstone

Israthoum
"Monument of Brimstone"
Spinefarm Records
7/10

Os Israthoum são um colectivo de origens portuguesas que reside actualmente na Holanda. Apesar de estar activo desde 1992, «Monument Of Brimstone» é ainda o seu segundo longa-duração. Foi originalmente editado em Outubro de 2008 pela S.A.R.S. Productions, mas a Spinefarm Records decidiu reeditá-lo em 2009, um facto que indicia estarmos perante um disco com qualidade. Basta ouvir as duas primeiras canções deste álbum para perceber que é relativamente diferente do seu antecessor, «Black Scenery Avatar». Embora se mantenham no campo do Black Metal, os Israthoum soam mais frios e melancólicos que antes. Isto deve-se, em parte, à forma como os teclados foram usados neste longa-duração. Aqui, eles existem para criar uma atmosfera sombria ou, por vezes, depressiva, algo que não acontecia no disco de estreia, onde serviam para adicionar melodia às canções. Além disso, notam-se também as influências pagãs e Folk que sobressaem em «Monument Of Brimstone», principalmente em «Fire, Deliverance». Uma das características que torna este trabalho apelativo é a sua variedade. Se, por um lado, temos faixas frias e melancólicas como «Wearing You» ou «Painters Of Uncreation», que lembram os austríacos Hellsaw; por outro, temos «Soul Funeral» ou «The Slanderer», que são relativamente mais agressivas. Para além destas, destaco também a atmosférica e sombria «My Death Grotesque», não esquecendo a pagã e igualmente atmosférica «Fire, Deliverance», que chega a soar bastante aos primeiros discos de Satyricon. O único ponto negativo de «Monument Of Brimstone» é a sua produção. Apesar de estar longe de ser má, por vezes não deixa que ouçamos os instrumentos com clareza. De resto, em termos técnicos, não há mais nenhum defeito a apontar. Todos os músicos são competentes, sobressaindo Voxinferi, o vocalista/baixista, com as suas vozes agressivas ou agoniadas, dependendo da canção. Resumindo, «Monument Of Brimstone» é, sem dúvida, um passo em frente na carreira de uns Israthoum mais versáteis e maduros. Agora, só têm de aproveitar os recursos que a Spinefarm Records lhes disponibilizará e poderão ganhar mais reputação entre os fãs das sonoridades pesadas. Para já, estão no bom caminho.

Crítica originalmente escrita para a Rock Heavy Loud.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Escutcheon: Battle Order

Escutcheon
"Battle Order"
Deity Down Records
6/10

Depois de uma pequena interrupção na sua carreira, os Escutcheon estão de volta com o seu segundo longa-duração, “Battle Order”. Apesar de serem provenientes de um país mais conhecido por nos oferecer bandas sinfónicas como After Forever, Epica ou Within Temptation, estes rapazes preferem tocar Death Metal melódico. No seu novo álbum, os Escutcheon presenteiam-nos com nove novas canções, que aliam a agressividade à melodia, à excepção da primeira faixa. Apesar de ser uma introdução que não nos oferece nada de novo, a melodia dos coros sintetizados dá-nos a interessante sensação de estarmos perante um mundo destruído, no qual não existe grande esperança. Terminada a intro, a banda começa a destilar o seu Death Metal melódico, onde sobressai a influência de nomes como At The Gates ou Hypocrisy. Guitarras melódicas misturam-se com uma bateria que varia o pedal duplo e o blastbeat com batidas mais lentas, enquanto Herman Hoffman vocifera as letras das canções num tom bastante grave, próximo do Death Metal puro. Salvo algumas excepções, como a passagem acústica de “The Dead Of Tomorrow” ou momentos em “The Eucharist” que roçam o Death Metal mais pesado, excepções que dão mais cor a este registo, a fórmula dos Escutcheon não vai muito mais além disto. Embora “Battle Order” não seja um mau disco, o certo é que o resultado final poderia ser bem melhor. Em primeiro lugar, as limitações técnicas dos guitarristas revelam-se através das melodias simples e da ausência de solos, o que é uma falta grave, visto que este género é rico em guitarras poderosas e solos cativantes. E, em segundo lugar, a produção está uns furos abaixo da média.Em conclusão, o novo disco dos Escutcheon não acrescenta nada ao que já foi feito neste estilo de música. No entanto, é possível que “Battle Order” tenha argumentos suficientes para agradar a fãs do género, embora haja, na minha opinião, propostas bem mais interessantes neste espectro.

Crítica originalmente escrita para a Rock Heavy Loud.