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terça-feira, 2 de abril de 2013

Old Funeral: Our Condolences 1988-1992

Old Funeral
"Our Condolences 1988-1992"
Soulseller Records
-/10

Os Old Funeral são maioritariamente conhecidos por terem incluído na sua formação, embora em períodos diferentes, músicos famosos da cena norueguesa, como Abbath e Varg Vikernes. Depois de ter saído uma compilação da banda pela Hammerheart Records em 1999, chamada “The Older Ones” e entretanto já descatalogada, a Soulseller Records edita outra este ano. “Our Condolences 1988-1992” está dividida em dois discos cujo interesse variará consoante o público. A primeira rodela é composta pela primeira demo, limitada a 50 cópias e nunca antes relançada, e por uma gravação inédita de um concerto dado em Bergen, em 1991. Trata-se de material que vale pela sua exclusividade, especialmente o concerto, que possui uma qualidade de som péssima destinada aos mais corajosos. Na segunda rodela encontra-se o melhor material escrito por estes noruegueses, nomeadamente a segunda demo e o EP “Devoured Carcass”, entre outros temas soltos. Avaliar uma compilação tendo acesso somente à componente musical é sempre uma tarefa ingrata que não permite discernir o verdadeiro valor desta edição. No entanto, a nível de conteúdo, este lançamento revela-se suficientemente versátil para agradar tanto aos fãs mais acérrimos e completistas como àqueles que querem começar a explorar as pequenas pérolas escondidas no legado dos Old Funeral.

Crítica originalmente escrita para a Infektion Magazine n.º 21.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Sulphur Aeon: Swallowed by the Ocean's Tide

 Sulphur Aeon
"Swallowed by the Ocean's Tide
Imperium Productions
7/10

Desde cedo que o imaginário de H.P. Lovecraft se tornou uma fonte de inspiração dentro do Heavy Metal. Entre bandas como Bal-Sagoth, Mercyful Fate ou até mesmo Metallica, surgem os alemães Sulphur Aeon, que se estreiam com este “Swallowed by the Ocean’s Tide”. A veneração pelas obras do escritor norte-americano faz-se notar rapidamente, basta dispensar alguma atenção ao belíssimo artwork deste trabalho ou colocar o disco no leitor e escutar a introdução “Cthulhu Rites”. Ao longo de 45 minutos, o ouvinte é arrastado para um turbilhão negro de Death Metal que, apesar de competente e de possuir o seu charme, acaba por cair na monotonia a certa altura. Para isso contribui a produção densa e abafada, que faz com que parte deste material soe demasiado semelhante para o seu próprio bem. Ainda assim, o trio consegue compensar esse ponto menos positivo com algumas incursões por caminhos melódicos reminiscentes da escola sueca, sendo “Inexorable Spirits”, na qual figura um solo brilhante, e “Those Who Dwell in Stellar Void”, com alguns compassos mais arrastados e uns leads memoráveis, dois temas particularmente cativantes e que merecem ser ouvidos.

Crítica originalmente publicada na Infektion Magazine n.º 20.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Terrorama: Genocide

Terrorama
"Genocide"
To The Death Records
7,5/10

Formados em 2001, os Terrorama são um quarteto natural de Norrköping, Suécia. Após dois álbuns com selo da Nuclear War Now! Productions, os suecos aliam-se à conterrânea To The Death Records para lançar o seu terceiro longa-duração, intitulado "Genocide". Ao longo de oito temas, que não chegam sequer a fazer 30 minutos de duração total, a banda cospe um Black/Thrash Metal sujo e descomprometido, revelando claras influências da selvajaria característica da cena extrema sul-americana, assim como alguma frieza norueguesa em passagens mais lentas. A nível lírico, é-nos apresentado um conceito que, como o próprio nome do disco indica, fala de genocídios. Entre acontecimentos mais debatidos, como a Alemanha Nazi ou a URSS de Estaline, e outros mais obscuros, como a ditadura militar de Idi Amin no Uganda ou a Grande Fome da Ucrânia, somos enfrentados com a faceta mais negra e sinistra do ser humano. Para quem gosta de Metal extremo pouco polido e com um pé no passado, esta será, certamente, uma proposta a ter em conta, principalmente se forem fãs de grupos como Sarcófago, Vulcano ou Holocausto, por exemplo.

Crítica originalmente publicada na Infektion Magazine nº19.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Entrevista: Grand Supreme Blood Court

Compostos por membros de Asphyx e Hail of Bullets, entre os quais se destaca o recém-regressado guitarrista Eric Daniels, os Grand Supreme Blood Court prometem dar que falar. Aproveitando o lançamento do álbum de estreia do grupo, conversámos com o vocalista Martin van Drunen.

Como começou este projeto e como culminou no lançamento do “Bow Down Before the Blood Court”?
Tudo começou quando o Eric veio ter comigo e com o Bob após alguns anos sem fazer Metal. Quando voltámos ao ativo com os Asphyx, ele estava indisponível para se juntar a nós, porque andava muito ocupado e tinha outras prioridades na sua vida. Encontrámos o Paul como o substituto perfeito. É óbvio que com um estilo um pouco diferente, mas a sonoridade era praticamente a mesma. A forma como ambos tocam guitarra é muito semelhante. Ao longo dos anos, o Eric manteve sempre o contacto connosco, somos amigos. Por isso, quando ele nos falou da sua ideia, em 2009, propusemos ir para a sala de ensaios improvisar um pouco e ver onde aquilo nos levava. Na altura, o projeto nem se chamava Grand Supreme Blood Court, mas sim The Company of Undertakers. Estávamos a divertir-nos imenso e o Alwin disse-nos que sentia saudades de tocar guitarra, visto que é o Paul que compõe o material todo para os Asphyx atualmente. Apesar de tocar baixo nos Asphyx e de também o ter feito nos Pulverizer, o Alwin é guitarrista nos Escutcheon. Então, ele e o Eric juntaram-se e criaram montes de riffs maravilhosos. Antes que dessemos conta, já tínhamos todas as canções compostas. Foi aí que o Eric me pediu para ser eu o vocalista e, como o material era tão bom e brutal, eu aceitei e comprometi-me a escrever as letras também. Só faltava um baixista para completar a formação e falei ao Eric do Theo, já que é um tipo impecável nos Hail of Bullets. Todos o conhecíamos e sabíamos como trabalhava, por isso achámos que era a melhor coisa a fazer. Não queríamos enfiar um estranho na banda. Depois, a Century Media ficou curiosa com o que andávamos a fazer e perguntou-nos se podia ouvir aquilo que compusemos. Dissemos que sim, claro. Assim que ouviu, pediu-nos para lançar o material e aceitámos. A maioria de nós trabalha com a editora e o Eric ainda recebe alguns direitos de autor por causa dos discos antigos dos Asphyx. Por isso, foi algo muito confortável. Resumidamente, é esta a história.

Há, claramente, um conceito por detrás das letras. Podes falar um pouco sobre ele e contar como surgiu?
Na verdade, foi uma coincidência, já que, inicialmente, o projeto se chamava The Company of Undertakers. Tinha esse nome, porque, apesar de não o vermos como uma brincadeira, era apenas algo para nos divertirmos. Porém, com o tempo, as estruturas das canções, os riffs e afins ficaram tão bons e profissionais que chegámos à conclusão que tínhamos dar um passo em frente. O conceito surgiu quando estava com o Eric enquanto ele escrevia as partes de guitarra. De repente, sentei-me no sofá e veio-me à cabeça uma ideia à qual chamei “Supreme Blood Court”, ou algo do género. Contei-lhe a minha ideia e ele mostrou-se muito entusiasmado e incentivou-me a desenvolvê-la. Então, comecei a escrever sobre isso e as canções ficaram prontas. Foi muito divertido e prazeroso. No entanto, apesar de ser um disco de Death Metal e as letras serem típicas do género, as pessoas deviam ler o que escrevi como uma espécie de livro de banda-desenhada. Como se fosse um livro de banda-desenhada sobre os cinco juízes que aparecem na Terra do nada e começam a servir justiça. Ninguém é preso, todos morrem no fim. A sentença é sempre a morte.

Sim, todos morrem cremados no final.
Exato. Tudo depende do crime que cometeste e se a sentença vai ser dolorosa e lenta, ou piedosa e rápida. Foi muito divertido escrever esta história e acho que liga muito bem com a banda.

Sem dúvida. Contudo, apesar de ser um conceito refrescante, também parece ser um pouco limitado. Foi difícil escrever um álbum inteiro sobre ele?
Podes crer que foi! (risos) No início, começas cheio de frescura e com um montão de ideias, mas, depois, à medida que vais escrevendo, apercebes-te que te estás a repetir. Só falas da justiça, dos juízes e das brutais sentenças de morte. De repente, apercebes-te que a tua fonte de inspiração está completamente gasta. Eu lia as letras e via que estava sempre a repetir versos. Foram precisas várias revisões, porque tinha de ser mais original e fazer algo melhor. No fim, foi muito difícil, especialmente as duas últimas letras. Até encontrar ideias novas, andava às voltas. Algumas palavras ainda se repetem, mas tentei evitá-lo ao máximo. Foi uma verdadeira luta.


Ainda é muito cedo, mas achas que vais utilizar o mesmo conceito no próximo álbum?
Não! O que acontece é que, quando trabalho com bandas, gosto de estar sempre à frente dos acontecimentos. Por exemplo, se termino um álbum, gosto de começar a pensar imediatamente em ideias para o próximo. Não gosto de me sentir desinspirado quando me apresentam ideias para um novo trabalho. Com os Grand Supreme Blood Court, estava num dilema, porque tinha esgotado todos os meus recursos. Só há pouco tempo é que me surgiu uma ideia diferente quando estava na sala de ensaios. Foi uma coincidência, até. Também está relacionada com tribunais, mas vai ser diferente. Pelo menos, já tenho uma ideia para um próximo álbum. De certeza que vamos lançar mais um, porque adorámos fazer este.

Como foi trabalhar com o Eric depois de tantos anos?
Deixei de trabalhar com ele depois do “Last One on Earth”, ao passo que o Bob foi após o “On the Wings of Inferno”, de 2000. Ao longo dos anos, continuámos amigos, por isso não existia qualquer animosidade entre nós. Sempre foi uma boa relação. Voltar a trabalhar com ele foi uma espécie de flashback, especialmente quando nos juntámos os três na sala de ensaios e pensámos “aqui estamos nós outra vez”. Para mim, o melhor foi ver o Eric voltar a fazer aquilo que mais gosta, tocar Death Metal. Ele é um grande compositor de riffs e um excelente guitarrista dentro do seu estilo. Não é um solista, mas a forma como escreve riffs… Foi mesmo muito bom ver o prazer que ele retira disto tudo. Simplesmente fantástico.

Será que podemos ver este projeto como uma continuação do que vocês fizeram enquanto estiveram juntos nos Asphyx? Isto é, como se os Asphyx tivessem terminado depois do “Last One on Earth” e tivessem regressado agora sob outra denominação…
Nem por isso, porque nunca foi essa a nossa intenção. Quando o Eric veio ter connosco, não imaginámos sequer que acabaríamos por lançar um disco. Depois, a Century Media pediu-nos para lançar o álbum, porque achava que tinha potencial. E nós aceitámos. Por que não haveríamos de o fazer? O material já estava composto. A grande diferença entre hoje e o passado é que o Eric não estava habituado a trabalhar com outro guitarrista. Ele foi sempre o único guitarrista nas bandas em que tocou. Por isso, estava um pouco cético em relação a isso. No entanto, depois de ter trabalhado com o Alwin, disse que houve uma química perfeita entre os dois. Com certeza terás reparado em algumas melodias ao longo do álbum que não parecem ter sido escritas pelo Eric. Essas partes são as do Alwin. Muita gente ficaria surpreendida se soubesse o quanto ele contribuiu para este trabalho. No que toca às guitarras, acho que foi mesmo 50/50 entre ele e o Eric. No entanto, voltando à tua pergunta, a resposta é sim. Podes ver este projeto como uma continuação do que eu, o Bob e o Eric fizemos no passado.

Até porque este projeto e os Asphyx partilham muitas semelhanças. Algo que não admira, já que vocês os três fazem, ou já fizeram no caso do Eric, parte dos Asphyx. Além disso, tanto este álbum como o “Deathhammer” foram misturados pelo Dan Swanö. Não te preocupa que as pessoas pensem que as duas bandas são demasiado parecidas? Ou achas que existem claras diferenças entre elas?
Em primeiro lugar, penso que existem algumas diferenças, mas é óbvio que existem muitas semelhanças também. Nós perguntámo-nos muitas vezes o que devíamos fazer. Teria sido melhor não fazer nada e deixar o material arrumado na estante? Teria sido uma pena! Já sabíamos que as pessoas nos iam perguntar se não teria sido mais simples o Eric regressar aos Asphyx. Contudo, há uma explicação para isso. A base dos Asphyx de antigamente e de hoje é a mesma, ou seja, nunca nos vamos vender e iremos sempre preservar o estilo brutal que temos. No entanto, há uma clara diferença entre o que eram os Asphyx antigamente e o que são hoje. O que acontece com os Grand Supreme Blood Court é que, principalmente devido aos riffs do Eric, remetem um pouco para o estilo antigo dos Asphyx. Claro que existem semelhanças, mas atualmente é o Paul que escreve tudo para os Asphyx. Foi ele que escreveu o “Death… the Brutal Way” e o “Deathhammer”. Acho que teria sido uma falta de respeito para com ele expulsá-lo só para trazer o Eric de volta. Não teria sido nada simpático, como deves entender. O surgimento deste projeto foi uma espécie de desenvolvimento a partir dos problemas que falei. Acabámos por fazer um disco e, ao que parece, o Alwin gostou muito de se ter juntado a nós, tal como o Theo. Foi assim que aconteceu e não queremos ofender ninguém! Simplesmente fazemos aquilo de que gostamos. Achamos que o material é muito bom e divertimo-nos imenso. Haverá sempre gente a atacar-nos. No entanto, é como já disse, íamos deixar este material arrumado na estante?


Não acredito que as pessoas vos ataquem por causa disso. O que acontece é que tu, em especial, tens um estilo muito característico e a forma como cantas nos Asphyx ou nos Hail of Bullets, por exemplo, é muito semelhante. As pessoas notam isso, mas não o veem como algo negativo, entendes?
Sim, acho que tens razão. É difícil para mim, é a minha voz. Com os Asphyx tento fazer gritos mais agudos, ao passo que nos Hail of Bullets tento fazê-los mais graves. Dá sempre para ver que sou eu, é a minha voz. (risos) Independentemente do que faça, é assim que soa. Antes de o Eric vir ter comigo, pensava que já tinha duas bandas e que não me ia meter em mais nenhum projeto, senão seria demasiado. Nunca esperava era que o Eric viesse ter comigo com uma proposta tão aliciante. Não é que ele me tenha implorado, mas notei que ele queria muito que me juntasse a ele e não consegui dizer que não. Era bom demais para dizer que não.

Claro, não te estou a julgar! (risos) Não tens culpa de ter um registo tão característico. Aliás, isso até é muito bom.
Sim, mas, em certa medida, acabas por ter razão. Às vezes, acho que estou a exagerar com estas bandas todas. No entanto, de uma coisa tenho a certeza. Esta vai ser a última banda em que me envolvo, independentemente do que acontecer! (risos) Já cheguei ao meu limite de bandas.

Mas não criarias uma banda onde não tocasses Death Metal e fosses baixista em vez de vocalista? Afinal de contas, chegaste a tocar baixo nos Asphyx e nos Pestilence.
Tenho falado dessa ideia com um amigo meu nos últimos cinco anos. Ele toca Hardcore e, uma vez, estávamos numa festa e eu disse-lhe que se alguma vez criasse um projeto onde só tocasse baixo que seria algo na onda de Discharge antigo, GBH, por aí. E seria esse meu amigo a assumir as vozes. Para mim, já chega de ser vocalista! (risos) No entanto, não vou concretizar essa ideia para já, porque estou demasiado ocupado com outras coisas.

Regressando aos Grand Supreme Blood Court, o vosso primeiro espetáculo vai ser na Alemanha, no dia 1 de Dezembro. Já ensaiaram muito?
Ensaiámos uma vez com a banda completa e algumas vezes só eu, o Bob e o Eric. Foi mais por causa do Eric, porque há muito tempo que não pisa um palco. Eu e os restantes membros já somos veteranos. Fazemos espetáculos durante o ano todo, por isso não é nada de novo. Será entusiasmante partilhar o palco com o Eric depois destes anos todos. No entanto, também será estranho. O espetáculo é a um Sábado e o que vamos fazer é um ensaio geral na Sexta-Feira. Todos sabemos qual é o nosso papel e estamos ansiosos para tocar.

E que planos têm para a agenda da banda?
Não exagerar. Nunca tivemos a intenção de tocar tanto ao vivo como nos Asphyx ou nos Hail of Bullets. Por isso, se fizermos mais espetáculos, queremos que sejam mais exclusivos. Muita gente já nos perguntou o motivo de o nosso primeiro espetáculo ser em Ingolstadt. Escolhemos esse lugar, porque as pessoas que estão a organizar o evento são muito especiais. Costumam organizar um festival chamado Death Doomed the Age e é sempre um evento muito especial. Por exemplo, este ano receberam o primeiro espetáculo de sempre dos Death Strike. Quando souberam que íamos lançar um disco, convidaram-nos e nós aceitámos, porque sabemos que organizam tudo muito bem. A comida é maravilhosa, assim como o ambiente e a cerveja. Vai ser muito bom! Depois, talvez façamos alguns espetáculos na Holanda. Gostaríamos de tocar no Party.San outra vez, por exemplo, porque gostamos muito desse festival. A partir daí, talvez escolher alguns concertos em alguns países onde realmente desejemos tocar.


E já que falas de festivais, tocaste este ano com os Asphyx e os Hail of Bullets cá em Portugal, no SWR Barroselas Metalfest. Gostaste da experiência e do festival?
Se gostei! Foi muito bom. Em primeiro lugar, o festival era fantástico, assim como o ambiente. Por vezes, até andava lá no meio do pessoal e tudo…

Sim, eu vi-te e até chegámos a conversar!
A sério? (risos)

Sim, estive no meet & greet contigo.
Porreiro! (risos) Há coisas que nunca esquecemos! Lembro-me de uns grandes bonecos de cartão que lá estavam e um deles era eu. Tirámos algumas fotografias e divertimo-nos imenso. Também nos fizeram uma espécie de questionário com os Hail of Bullets. A única coisa má, e não sei a razão para ter acontecido, foi a minha voz estar danificada. Talvez tenha sido por causa dos voos regulares e do ar condicionado dos aviões. Quando estava em palco com os Asphyx, tive problemas com a voz. Foi uma verdadeira treta! No fim, achámos que vocês mereciam mais! Queremos voltar aí e fazer um espetáculo como deve ser.

Sim, mas safaram-se…
No fim, sim. Com os Hail of Bullets, estava em plena forma. Correu muito bem, mas com os Asphyx… Quando acabou, até dissemos que foi o pior concerto que demos. Eu sei que as pessoas gostaram muito. Foi divertido ver o Tony, dos Whiplash, a saltar do palco a meio do nosso concerto. No fim, ele veio ter connosco e elogiou-nos, mas eu disse que estava triste com o que tinha acontecido e que me sentia mal, porque achava que podíamos ter feito muito melhor. Se calhar, como público, vocês não sentem isso, mas como banda, nós sentimos que podíamos ter feito melhor e que vocês mereciam mais. Ainda bem que gostaram. No fim de contas, o espetáculo nem foi assim tão mau, mas o início foi um pouco atabalhoado, especialmente por causa da minha voz. Quando tens problemas de voz, tens de aquecer durante uns três ou quatro temas e consegues recuperá-la por mais algum tempo. Só não entendi qual foi o problema. Como disse, penso que tem a ver com os voos regulares. Uns dias antes, estivemos na Roménia e, depois, eu fui para Portugal por causa do concerto de Hail of Bullets e, logo no dia a seguir, subi ao palco com os Asphyx. É estranho, porque quando andámos em digressão por Maryland, nos E.U.A., nunca tive a voz em perfeitas condições, apesar de treinar muito. Daí defender que o problema se deve ao ar condicionado dos aviões. Mas, voltando ao festival, se nos convidarem para ir aí outra vez, nós vamos! (risos) Os meus cumprimentos aos organizadores pelo seu trabalho fantástico. Só foi pena os Hirax não terem aparecido…

E, pronto, chegámos ao fim. Alguma coisa que queiras acrescentar?
Apenas que esperamos regressar aí, porque não ficámos satisfeitos com o último espetáculo. Teremos a nossa vingança! De certeza que voltaremos a Portugal, porque adorámos o tempo que passámos aí. E, quem sabe, se formos aí com os Asphyx, basta comprar dois bilhetes extra, para o Theo e o Eric, e os Grand Supreme Blood Court também poderão tocar! (risos) Muito obrigado a ti e ao resto dos fãs portugueses que vieram ver-nos e nos apoiam.

Entrevista realizada em colaboração com a Infektion Magazine.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Ao vivo: Paradise Lost, Soen

Paradise Lost, Soen
Sala 1, Hard Club - 04/10/2012 

Os Paradise Lost regressaram a Portugal com data dupla, assinalando assim o início de mais uma digressão pela Europa em promoção do seu 13º álbum, "Tragic Idol". Depois de terem estado em Lisboa no dia 3 de Outubro, os britânicos passaram também pelo Porto no dia seguinte. A acompanhá-los como banda de abertura em ambas as datas estiveram os Soen, que se estrearam no nosso país.

Devido a problemas técnicos, as portas da Sala 1 do Hard Club só abriram às 21h30 e quando os Soen começaram a atuar, ainda uma longa fila esperava para entrar no recinto. Em palco, os suecos apresentaram algumas surpresas a nível de formação, com um baixista substituto a ocupar o lugar de Steve DiGiorgio e um quinto elemento responsável pelos teclados e pela percussão e vozes adicionais. “Fraktal” e “Fraccions” deram o mote a uma prestação seguríssima que pouco demorou a cativar o público. À medida que se iam ouvindo outras canções, como “Delema”, “Oscillation” ou a suave “Last Light”, tanto Joel Ekelöf como Martin Lopez iam assumindo uma posição de destaque, o primeiro pela envolvência com que cantava e o segundo pela complexidade e poder que imprimia na forma como tocava a sua bateria. Já a encerrar um concerto muito aplaudido, “Savia” sublinhou que há neste projeto uma identidade própria mais vincada do que se pensa.



Após meia hora de preparações e já com a sala praticamente cheia, as luzes apagaram-se finalmente e, ao som de “Desolate”, os Paradise Lost foram subindo um a um para o palco sob uma chuva de aplausos e assobios vindos da plateia. Foi ao som da clássica “Widow” que o espetáculo começou, com Nick Holmes a puxar pelo público desde o primeiro instante e a receber uma resposta efusiva. Seguiram-se “Honesty in Death e “Erased”, que corroboraram a excelente entrada do coletivo britânico. Depois, foi altura para um dos momentos mais especiais da noite. As luzes apagaram-se por breves segundos e ouviram-se os teclados iniciais de “Enchantment”, uma surpresa para aqueles que esperavam um alinhamento semelhante ao da noite anterior em Lisboa. Mais uma vez, os presentes mostraram um apoio incondicional à banda, cantando e marcando o ritmo com palmas e heys. Ainda durante a interpretação deste tema, o vocalista recebeu uma ovação depois de ter oferecido duas palhetas a um fã que exibia um cartaz na fila da frente e lhe ter dito que eram “10€, por favor”. Apesar de se ter mostrado sempre bem-disposto e comunicativo, Nick teve dificuldades em imprimir a intensidade necessária nas suas vocalizações, que revelaram algumas debilidades e se afundaram aos poucos no poder dos instrumentos dos outros membros à medida que o concerto decorria. Entretanto, foram-se ouvindo outras canções de um alinhamento eclético q.b. que englobou clássicos como “Pity the Sadness” ou “As I Die”, temas da fase eletrónica (neste caso, “Soul Courageous” e “One Second”) e faixas mais recentes, sendo elas “Praise Lamented Shade” ou “The Enemy”, sem esquecer, claro, novidades como “In This We Dwell” e “Tragic Idol”. Já em regime de encore, foram interpretadas a icónica “Embers Fire”, “Fear of Impending Hell”, “Faith Divides Us – Death Unites Us” e, em despedida, “Say Just Words” que pela última vez naquela noite encheu o recinto de fortes aplausos. É certo que faltaram mais alguns clássicos, mas foram quase 90 minutos de música ao vivo muito bem passados.


Fotografias gentilmente cedidas por Antonio Aguirre (Craneo Metal)

Reportagem originalmente publicada na Infektion Magazine nº18