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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Cradle of Filth: The Manticore and Other Horrors

Cradle of Filth
"The Manticore and Other Horrors"
Peaceville Records
7,5/10

Após um EP e a uma compilação medíocres, os Cradle of Filth estão de volta com o seu décimo álbum, “The Manticore and Other Horrors”. Desta vez, os britânicos apresentam uma abordagem mais direta quando comparada à dos discos anteriores, reduzindo os floreados orquestrais ao essencial e apostando na força das guitarras. Liricamente, Dani Filth também se afasta das obras concetuais em detrimento de um conjunto de histórias sobre monstros, no qual a Manticora, uma criatura mitológica persa, ocupa o papel principal. Da brutalidade de “The Abhorrent”, passando pelos andamentos Punk de “For Your Vulgar Delectation” ou pelo orientalismo de “Manticore”, até à orientação romântica e teatral de “Frost on Her Pillow”, a banda assina um trabalho cativante e variado que materializa a sua vontade em manter-se relevante na atualidade. No entanto, por mais competente que a formação atual seja, está longe de recuperar aquela magia que tornou os Cradle of Filth numa banda à parte durante os anos 90. Os tempos são outros, a voz de Dani Filth já não é o que era e o pesado legado que fica para trás também não ajuda. Ainda assim, “The Manticore and Other Horrors” não deixa de ser uma peça interessante no percurso recente dos britânicos.

Crítica originalmente publicada na Infektion Magazine nº18

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Ao vivo: Paradise Lost, Soen

Paradise Lost, Soen
Sala 1, Hard Club - 04/10/2012 

Os Paradise Lost regressaram a Portugal com data dupla, assinalando assim o início de mais uma digressão pela Europa em promoção do seu 13º álbum, "Tragic Idol". Depois de terem estado em Lisboa no dia 3 de Outubro, os britânicos passaram também pelo Porto no dia seguinte. A acompanhá-los como banda de abertura em ambas as datas estiveram os Soen, que se estrearam no nosso país.

Devido a problemas técnicos, as portas da Sala 1 do Hard Club só abriram às 21h30 e quando os Soen começaram a atuar, ainda uma longa fila esperava para entrar no recinto. Em palco, os suecos apresentaram algumas surpresas a nível de formação, com um baixista substituto a ocupar o lugar de Steve DiGiorgio e um quinto elemento responsável pelos teclados e pela percussão e vozes adicionais. “Fraktal” e “Fraccions” deram o mote a uma prestação seguríssima que pouco demorou a cativar o público. À medida que se iam ouvindo outras canções, como “Delema”, “Oscillation” ou a suave “Last Light”, tanto Joel Ekelöf como Martin Lopez iam assumindo uma posição de destaque, o primeiro pela envolvência com que cantava e o segundo pela complexidade e poder que imprimia na forma como tocava a sua bateria. Já a encerrar um concerto muito aplaudido, “Savia” sublinhou que há neste projeto uma identidade própria mais vincada do que se pensa.



Após meia hora de preparações e já com a sala praticamente cheia, as luzes apagaram-se finalmente e, ao som de “Desolate”, os Paradise Lost foram subindo um a um para o palco sob uma chuva de aplausos e assobios vindos da plateia. Foi ao som da clássica “Widow” que o espetáculo começou, com Nick Holmes a puxar pelo público desde o primeiro instante e a receber uma resposta efusiva. Seguiram-se “Honesty in Death e “Erased”, que corroboraram a excelente entrada do coletivo britânico. Depois, foi altura para um dos momentos mais especiais da noite. As luzes apagaram-se por breves segundos e ouviram-se os teclados iniciais de “Enchantment”, uma surpresa para aqueles que esperavam um alinhamento semelhante ao da noite anterior em Lisboa. Mais uma vez, os presentes mostraram um apoio incondicional à banda, cantando e marcando o ritmo com palmas e heys. Ainda durante a interpretação deste tema, o vocalista recebeu uma ovação depois de ter oferecido duas palhetas a um fã que exibia um cartaz na fila da frente e lhe ter dito que eram “10€, por favor”. Apesar de se ter mostrado sempre bem-disposto e comunicativo, Nick teve dificuldades em imprimir a intensidade necessária nas suas vocalizações, que revelaram algumas debilidades e se afundaram aos poucos no poder dos instrumentos dos outros membros à medida que o concerto decorria. Entretanto, foram-se ouvindo outras canções de um alinhamento eclético q.b. que englobou clássicos como “Pity the Sadness” ou “As I Die”, temas da fase eletrónica (neste caso, “Soul Courageous” e “One Second”) e faixas mais recentes, sendo elas “Praise Lamented Shade” ou “The Enemy”, sem esquecer, claro, novidades como “In This We Dwell” e “Tragic Idol”. Já em regime de encore, foram interpretadas a icónica “Embers Fire”, “Fear of Impending Hell”, “Faith Divides Us – Death Unites Us” e, em despedida, “Say Just Words” que pela última vez naquela noite encheu o recinto de fortes aplausos. É certo que faltaram mais alguns clássicos, mas foram quase 90 minutos de música ao vivo muito bem passados.


Fotografias gentilmente cedidas por Antonio Aguirre (Craneo Metal)

Reportagem originalmente publicada na Infektion Magazine nº18

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Blutvial: Curses Thorns Blood

Blutvial
“Curses Thorns Blood”
Mordgrimm
7/10

Surgidos em 2007 e oriundos do Reino Unido, os Blutvial são um trio composto por Ewchymlaen, Zemogh e Aort, mais conhecido por acumular funções nos Code. "Curses Thorns Blood" é o segundo trabalho destes ingleses e apresenta algumas mudanças na sua abordagem ao Black Metal quando comparado à estreia "I Speak of the Devil", de 2009. Se no primeiro álbum exploravam a vertente mais fria do género, neste novo álbum apostam na agressividade do mesmo. Logo nos dois primeiros temas alternam riffs pesados e blastbeats com passagens mais arrastadas, possuidoras de um groove que lembra os suecos Craft. Em “The Immutable Hammer”, porém, já domina um feeling Punk, reminiscente dos primórdios de uns Bathory, especialmente no solo de guitarra. Contudo, as surpresas não terminam aqui e a banda mostra que gosta de arriscar, optando por uma vertente mais rockeira em “Tirade Against Oversocialisation” ou por uma mais arrastada e virada para o Doom em “Wethered and Broken-Mouthed”, por exemplo. Apesar de a audácia ser de louvar, o certo é que algumas canções não resultam muito bem, levando o ouvinte a perder o interesse rapidamente. Os fãs de Black Metal têm aqui uma proposta capaz de agradar-lhes, mas que carece de argumentos suficientes para conquistar um público menos inclinado para as sonoridades negras. 

Crítica originalmente publicada na Infektion Magazine nº 16.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Traces: Reflections Of A Forlorn Sun

Traces
"Reflections of a Forlorn Sun"
Siege of Amida Records
8/10

Os Traces são um jovem sexteto britânico formado em 2007. «Reflections Of A Forlorn Sun» é o seu EP de estreia e, tendo em conta a tenra idade da maioria dos membros que compõem esta formação, seria de esperar um disco genérico de Deathcore, igual a muitos outros que são editados mensalmente. Felizmente, não é isso que acontece aqui, visto que os Traces tocam Black Metal sinfónico com laivos de Folk. As influências de Dimmu Borgir são óbvias e, por vezes, a colagem chega a ser descarada, mas esse facto acaba por perder relevo quando somos fustigados pela surpreendente competência com que este colectivo destila a sua música. 

«To Engulf All Creed» é o tema que abre este EP e, após uma brevíssima introdução de sintetizador, os Traces entram a todo o gás, espalhando a destruição com blastbeats e guitarras cortantes. Depois de um break, a banda volta a atacar com o experiente Phil Wilson (ex-Gorerotted/The Rotted) a vociferar furiosamente as letras. Quando chegamos ao refrão, a agressividade dá lugar à melodia e Phil começa a cantar em registo limpo. Contudo, a sua prestação neste capítulo deixa bastante a desejar. De resto, a canção flui extremamente bem. Nas faixas seguintes, «In the Wake of What has Perished» e «Wreathed in Flames», as influências de Dimmu Borgir sobressaem. Existem bastantes passagens que lembram muito a banda norueguesa por alturas do melódico «Enthrone Darkness Triumphant» ou do sinfónico «Death Cult Armageddon». Mesmo assim, a classe está toda lá, principalmente nos arranjos melódicos dos teclados. Antes de chegar à última canção, os Traces ainda nos oferecem «Last Cycle Of Light», um instrumental calmo, acompanhado por flauta e por uma guitarra eléctrica limpa com uma melodia bastante bonita. Aos poucos vai dando lugar aos teclados, que lembram bastante Cradle Of Filth. Logo a seguir começa «Reflections Of A Forlorn Sun» que difere ligeiramente dos temas anteriores por ser mais lenta e orquestrada, incluindo até um solo de órgão que lembra o Power Metal finlandês. Pouco antes de terminar, Phil Wilson volta a cantar em registo limpo e a impressão de que não é um vocalista muito eficaz neste capítulo mantém-se. Porém, os arranjos brilhantes de teclado logo a seguir fazem-nos esquecer de imediato esse momento menos bom.

Além das vozes limpas medíocres, pouco ou nada mais há para criticar. Sim, os Traces estão longe de ser originais e, às vezes, usam demasiado os teclados. Contudo, isso são falhas naturais num colectivo formado há tão pouco tempo e, para seu mérito, apresentam um nível de profissionalismo/competência bastante acima da média. Em suma, «Reflections Of A Forlorn Sun» é um EP de estreia bastante promissor, capaz de agradar aos fãs de Black Metal melódico ou sinfónico e, quem sabe, aos apreciadores de Metal pagão, graças aos toques Folk que os Traces injectam na sua música. Recomendado!